
O programa secreto que desenvolveu as primeiras armas nucleares na Segunda Guerra.
Raony Salvador / Escrito em História / Revista Fórum,
O bombardeio atômico de Hiroshima completa 80 anos em 2025, marco de um dos episódios mais dramáticos da Segunda Guerra Mundial e que revelou ao mundo o poder destrutivo das armas nucleares. Por trás desse evento estava o Projeto Manhattan, programa secreto liderado pelos Estados Unidos com apoio do Reino Unido e do Canadá, responsável por desenvolver as primeiras bombas atômicas da história.
Iniciado em 1942 e concluído em 1946, o projeto reuniu cerca de 130 mil pessoas e consumiu recursos próximos de US$ 2 bilhões da época — valor equivalente a cerca de US$ 27 bilhões hoje. Sob comando do general Leslie Groves e com J. Robert Oppenheimer à frente do Laboratório de Los Alamos, a iniciativa resultou nos modelos Little Boy e Fat Man, lançados sobre Hiroshima e Nagasaki em agosto de 1945.
O impacto histórico e os bastidores do projeto
Grande parte do orçamento foi destinada à produção de urânio enriquecido e plutônio em instalações como Clinton (Tennessee) e Hanford (Washington). Enquanto a bomba Little Boyutilizou urânio, a Fat Man empregou um complexo design por implosão com plutônio. Em julho de 1945, o teste Trinity, no Novo México, confirmou a viabilidade das armas que seriam usadas semanas depois contra o Japão.
O projeto também envolveu missões de inteligência, como a Operação Alsos, voltada para rastrear e neutralizar os avanços do programa nuclear alemão. Apesar das rígidas medidas de segurança, o esforço foi alvo de espionagem soviética, o que ajudou a acelerar a futura corrida nuclear da Guerra Fria.
Após a guerra, o Projeto Manhattan conduziu testes nucleares no Atol de Bikini, criou a rede de laboratórios nacionais dos EUA, impulsionou pesquisas em radiologia e lançou as bases para a marinha nuclear. Em 1947, sua gestão foi transferida para a recém-criada Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos.
O programa teve início em 1939, após alertas de cientistas sobre a fissão nuclear e o risco de que a Alemanha nazista liderasse esse avanço. A famosa carta Einstein-Szilard convenceu o presidente Franklin D. Roosevelt a apoiar o projeto. A colaboração britânica foi decisiva, com pesquisas do Comitê MAUD e, posteriormente, o Acordo de Quebec de 1943, que formalizou a parceria entre EUA e Reino Unido.
O sucesso do Projeto Manhattan não apenas encerrou a guerra no Pacífico, mas inaugurou a era nuclear, cujas consequências ainda são debatidas 80 anos após o ataque a Hiroshima.
Imagem:Wikimedia Commons
