O “Fora Temer” vai muito além de Temer

serra
O histórico e as ações do grupo de ministros do governo Temer são a prova cabal da visão minúscula que o presidente e seu grupo têm sobre o Brasil. A descrição ampla e objetiva é proposital: não existe um nome que se salve.
Além de conservadores, atrasados em seus conceitos, trazem de volta um Brasil mesquinho, guiado por um espírito escravocrata e de descrença na própria população e humanidade.
Um grande símbolo de toda vilania é o ministro José Serra, que agarrou com unhas e dentes, aquela que talvez tenha sido sua última oportunidade de aparecer com protagonismo diante do cenário nacional.
Mas o que me faz citar Serra não são as abjetas denúncias que o acusam de receber 23 milhões de caixa dois, nem as informações do site Wikileaks que confirmam sua promessa de entrega do pré-sal à Chevron.
A ideia não é mostrar exclusivamente o quão desqualificado e insensato é Serra, mas relembrar os bons momentos vividos pelo Brasil, quando tínhamos à frente das relações externas, o ex-ministro Celso Amorim. Quem sabe assim, alguns desavisados com visão restrita, acostumados a reproduzir as ladainhas clichês e difamatórias da grande mídia para com os governos Lula e Dilma, não repensem suas convicções.
Amorim, sem dúvidas, está marcado na história por fazer o Brasil se tornar um gigante em solidariedade e humanismo, além de elevar o status do país na relação com o mundo.
Defendeu os interesses do Brasil, sem passar por cima das necessidades e interesses dos parceiros da América Latina, compreendendo que, colaborando com o fortalecimento dos vizinhos, o Brasil tinha muito mais a ganhar. A visão cordial e horizontal trouxeram muitos ganhos comerciais para região além de consolidar um espírito de cooperação mútuo.
Cedeu à Bolívia, país historicamente espoliado, quando o país adotou uma política de nacionalização dos hidrocarbonetos, em 2006. Por mais que o discurso preponderante da época afirmasse que a visão solidária fosse antagônica aos nossos interesses, ganhamos, em longo prazo, a confiança dos irmãos latino-americanos o que, consequentemente, contribuiu para realização de projetos e acordos, visando o bem comum da região.
Ponto que confirma os efeitos positivos foi a criação da Unasul, que discutiu a integração energética entre os países latinos, gerando uma estabilidade regional no setor.
Outro episódio marcante foi a atuação altiva na mediação entre o Irã e seus algozes. O Brasil junto à Turquia fez com que Teerã trocasse urânio aplicado para diversos fins pelo urânio próprio, que poderia ser utilizado para confecção de bombas. Este fato foi um dos muitos que deu ao Brasil papel de protagonista na busca pela paz mundial.
Na gestão de Amorim foram inauguradas 19 embaixadas na África, região vilipendiada pelos colonizadores e esquecida pela maioria dos países desenvolvidos. A aproximação do Brasil com a África vai muito além da criação de um novo mercado: é a aproximação do nosso povo com sua própria identidade, o que fortalece o combate à discriminação racial e potencializa o empoderamento de seus descendentes.
A tacada de maior representatividade foi o ingresso do país nos BRICS, o que nos permitiu ampliar relações diante de todas as regiões do mundo, exterminando a visão histórica e reducionista de subserviência aos Estados Unidos e Europa.
Todas essas ações grandiosas são incompatíveis com a sordidez de José Serra diante do cargo. Em pouco tempo como ministro, Serra fechou embaixadas na África, impôs, mais uma vez, relações serviçais com os EUA e passa por cima da relação harmoniosa com os países da América Latina.
É uma devastação sobre o brilhante trabalho feito por Celso Amorim, confirmando uma fase de retrocessos para o país e para a harmonia mundial.
A pequenez de José Serra é mais um ponto que reforça a necessidade de se pedir a retirada de Michel Temer da presidência.
O “Fora Temer” é abrangente e urgente.
Foto(*): agenciabrasil.ebc.com.br

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