
Antes de iniciar, confesso que não assisti nem dez minutos da Eurocopa. Vou além, desisti do futebol quando exterminaram a geral e fizeram do saudoso Mario Filho uma espécie de Teatro Municipal: deveria estar democraticamente embutido nos direitos do povo ao lazer e cultura, mas nunca acolheu um assalariado.
Voltando à Eurocopa, falo do jogo que eu não assisti: Polônia e Portugal. Não propriamente do jogo, mas da concentração de torcedores ensandecidos, no meio de uma praça, comemorando a classificação da seleção portuguesa para a semifinal.
Vendo aquela imagem, é inevitável não comparar com as “alegrias” que a nossa seleção tem nos dado. E o pior, a paixão do brasileiro pela seleção foi dilapidada tão brutalmente, que olhar a festa portuguesa chega causar estranheza e certo recalque. É como se fosse um descaramento, em plena quinta-feira, um povo comemorar enlouquecidamente a classificação da seleção.
Inevitavelmente, fica a profunda mágoa do que fizeram com o futebol brasileiro e com o Maracanã: ambos completamente descaracterizados, distantes do povo e incapazes de alegrar e encobrir nossas frustrações. Tudo fruto dos negócios ambiciosos, que fizeram dos clubes, jogadores e estádios uma cópia mal feita do modelo europeu. Mais uma vez, enaltecendo o famoso complexo de vira-latas que, hoje, faz com que o jovem torcedor sonhe em vestir a camisa do Barcelona e não mais a do Flamengo.
E no meio disso tudo, impossível não se lembrar dos sete a um. Uma derrota que comprova toda a transformação maléfica que fizeram com a tradição do nosso futebol. Para mim, além do desastroso resultado é a constatação de que, naquele jogo, não teve um brasileiro expulso. Ou seja, toma-se de sete e ninguém perde a cabeça. E fica óbvia a falta de ligação passional dos jogadores com a seleção. São atletas comandados por empresários e patrocinadores, que muitas das vezes são convocados sem nenhum merecimento, apenas para ganhar visibilidade e acelerar os bons negócios. Os craques com carreiras já consagradas, na grande maioria das vezes, também pensam exclusivamente nos bons negócios, sejam eles na China, no Qatar ou em qualquer canto que triplique seus salários e aumente a projeção publicitária.
Na torcida para que o futebol não seja comandado exclusivamente pelos empresários e ter como único objetivo o lucro, como é o caso do Audax, é preciso relembrar a saudosa frase de Nelson Rodrigues: “sem paixão, não se chupa nem um chicabon”. O que dirá representar um país de 200,4 milhões de torcedores, mundialmente reconhecidos pela afinidade e amor pela bola.
Na foto, o saudoso mané é observado por um geral superlotada e apaixonada pelos dribles do craque.
Foto(*): copawriters.wordpress.com

A derrota humilhante para os alemães, poderia ser um divisor de águas na história do futebol brasileiro, no entanto as ambições e barganhas afasta o principal ator desse espetáculo: o torcedor.
Na minha opinião, a democratização dos meios de comunicação será umas das saídas para que o futebol brasileiro volte ter suas glórias. Não há cabimento, hoje em admitir quem manda é desmanda no futebol é uma emissora de TV.