É o ano que se vai, ou somos nós que vamos passando? Um ano é muito tempo. Acontecem muitas coisas nesse período de tantos dias! Um dia já é muito tempo, que dizer, então, dessa continuidade de dias que é o ano que se vai.
Agora que falta pouco para o fim deste ano, é como se todos os finais de ano viessem se concentrar neste instante. Cada fim de ano, do primeiro, até os seguintes, todos, até o final do ano passado. Até o final deste ano, que ainda não chega.
Mas os sons dos foguetes na praia. E as luzes no céu e no mar. E os barcos flutuando nas águas da baia. Quantos trabalhos, pessoais e coletivos, reuniões, encontros, desencontros, quedas, tropeços, recomeços!
Dores, medos, sonhos, esperanças. Um amigo muito querido que partiu. Um ano que se anuncia incerto. Um quebra cabeças que se vai montando e desmontando a toda hora. Isto é a vida. As palavras vão para frente, os escritos ficam para atrás.
Mas desses escritos emana alguma coisa. Um invólucro tênue, que é a reunião de alguns fios de luz catados pelas ruas por onde andaste. Noites de vigília. Expectativas. A primeira formação de terapeutas comunitários em Montecarlo, Misiones, Argentina.
As idas a Mendoza. Tudo isto. O congresso da Terapia Comunitária Integrativa em Carapibus, Paraíba, Brasil. Olhas todo este tempo que faz redemoinhos e te envolve, gira e dá mais voltas. O seminário teológico José Comblin.
As redes de que participas. As viagens. O aprendizado a toda hora. Cada lugar, cada pessoa encontrada, tudo conflui para este agora que está por passar rapidamente. Já passa, já passou. Passará de novo.
Às vezes te parece que todo o presente já foi vivido. O presente é um passado imemorial que retorna. E o ano que vem, às vezes pensas, é um ano que volta, desde algum lugar muito distante.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
