
Como é grande a obsessão que FHC tem por Lula. É praticamente impossível ouvir qualquer entrevista do sociólogo em que ele não cite o ex-presidente.
No programa do Jô, na última quarta-feira, não foi diferente. Do começo ao fim da entrevista, o professor, como gosta de ser chamado, faz menção ao maior estadista do país, junto à Getúlio Vargas. Diga-se de passagem, tanto Getúlio quanto Lula, sempre foram alvo do sociólogo liberal.
Começando pelo fim da entrevista, FHC faz escárnio ao supor a intenção de Lula em voltar a disputar os próximos pleitos, como se isso fosse uma dificuldade do ex-sindicalista de se manter distante dos holofotes ou de conter a própria vaidade. Alguém precisa avisá-lo que o povo é quem deseja a volta de Luiz Inácio.
Destaca-se também a sua tentativa de demonstrar humildade e grande capacidade de autoanálise, quando ele relata que andou de metrô em Paris, pediu ao policiamento francês que o deixasse caminhar livremente e que costuma frequentar a praia de São Conrado sozinho. Ainda nesta linha, falou durante algum tempo sobre a dificuldade que as pessoas públicas têm em readquirir hábitos de uma pessoa comum. A impressão que deu é que, naquele momento, o ex-presidente fazia uma profunda catarse.
Obviamente, tudo faz parte de uma tentativa de se mostrar parecido ao maior líder da atualidade, que nunca se esforçou para ser diferente do que é: um ser humano simples e líder nato.
Saindo das análises supérfluas, analisemos os tempos sombrios em que vivemos. Em doses homeopáticas, a grande mídia vai preparando o povo para aderir, mais uma vez, ao projeto neoliberal, que em breve terá como protagonistas os tucanos.
Há de se convir, que o governo Temer será breve e, já pensando no futuro, iniciam uma mera preparação de campo para que os tucanos, queridinhos da grande mídia e do capital, voltem ao poder. Para que isso ocorra, é preciso desgastar ao máximo a imagem de Lula, das esquerdas e dar espaço para a “sabedoria” plural do sociólogo que, de forma matreira, defende e aconselha o governo interino.
Voltando à entrevista, é assustador o discurso de FHC de que o impeachment é um ato legal. Inclusive, aponta como estratégia obscura de propaganda a utilização da palavra golpe. É como se toda a imprensa internacional e outros grandes líderes fossem incapazes de analisar a situação e estivessem sendo ludibriados por quem diz que é um golpe. Como FHC também fez diversas pedaladas fiscais, estrategicamente ele muda os rumos do discurso, apontando circunstâncias distantes do processo, para desqualificar o governo Dilma e ratificar o impeachment.
Ao falar de corrupção, faz aquele velho discurso de que o PT utilizou meios corruptos para manter-se no poder. É como se a compra da reeleição, em 1997, quando alguns parlamentares receberam duzentos mil reais para aprovação do projeto, não tivesse existido e não fosse uma medida para prolongar sua estadia na presidência. Obviamente este fato jamais foi questionado e seria uma ilusão esperar que um entrevistador, com discurso benevolente, colocasse o tema em questão.
Ao comentar sua crença no futuro do Brasil, FHC cita a solidez das instituições e a independência dos setores de investigação, mas é incapaz de dizer que quem deu a grande passada para que isso acontecesse foi o PT.
Citando a independência do Ministério Público, na sua gestão, como um ato extremamente republicano, maquia a grande verdade: no seu governo, o Procurador-Geral da República, Geraldo Brindeiro, ficou conhecido como “engavetador-geral da República”. Inclusive tendo arquivado o processo da compra da reeleição, muito parecido com o mensalão. A diferença é que o processo tucano não foi alardeado pela mídia, nem chegou às mãos do STF.
Outro grande registro do legado de “boas intenções” do ex-presidente é a herança deixada por ele no STF: Gilmar Mendes.
Seu excesso de elogios à Justiça é uma singela demonstração de como funcionam as relações entre o seu grupo político e os membros do Judiciário. O PSDB, apesar das diversas acusações, sempre foi poupado pelo Judiciário. Aécio Neves que o diga.
Outra parte intrigante é a forma como ele vê a grande mídia. Segundo ele, apesar de cinco famílias deterem o monopólio dos meios, não existe espaço para que haja parcialidade nas informações. Uma fala insolente, mas extremamente compreensível: ninguém bate em aliados e bajuladores.
Quanto aos blogs, a primeira coisa que ele se refere são os patrocínios estatais recebidos. É como se a Globo, Veja e todos os grandes meios, jamais recebessem patrocínio estatal.
Ao perceber que todas as acusações se enquadram perfeitamente no que é a grande mídia, reduz a marcha do discurso, amenizando a situação.
Ao falar do sistema político, denuncia a grande tragédia: o financiamento privado de campanha, esquecendo-se que os seus companheiros de partido votaram contra o projeto que exigia o fim das doações.
Em suma, uma entrevista repleta de cinismo e extrema bajulação por parte do entrevistador. A seleta plateia também não ficou para trás: adularam o ex-presidente como se fosse o homem mais íntegro e capaz que passou pela presidência do país. Nada novo. Num país, repleto de racismo cultural, quem tem pose e apresenta uma retórica rica em palavras pomposas, ganha credibilidade para falar e fazer o que quer, ficando em segundo plano os paradoxos. Os elogios feitos à retórica de Temer, na entrevista dada ao Fantástico, são o maior exemplo disso.
É aquela velha história brasileira: não precisa ser ou fazer-se entender. Fale de forma nobre, faça pose de rei, que grande parte dos brasileiros se encanta e bate palma. E assim, Casa Grande se reinventa, jamais saindo de cena.
Confiram aqui a entrevista completa:
Foto(*): diariocentrodomundo.com.br

É lamentável a falta de respeito da TV globo com os brasileiros. Ontem no ‘fantástico’ a TV globo exite reportagem sobre o parlamentar Waldir Maranhão com o objetivo de denegrir sua imagem. Não estou dizendo que o mesmo é inocente ou culpado, porém quando o ex Presidente Lula falou meia duzia de verdades sobre o judiciário, o texto de praxe da Globo era a falta de respeito de lula pelas instituições, ora essas mesmas instituições julgaram as contas do parlamentar como regular e a TV publica matéria sobre algo já julgado – cadê o respeito pelas instituições? O fato é, O parlamentar tentou evitar o golpe e agora a globo quer retaliar a qualquer custo… É triste e doloroso para o estado democrático.