FAVELA DA MARÉ SE LEVANTA CONTRA A VIOLÊNCIA E PELA PAZ

mare200909
O depoimento do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) e a matéria do jornal O CIDADÃO merecem ser lidos com atenção por aqueles que gostam do Rio de Janeiro, por quem busca a paz. Os milhares de cidadãos cariocas que vivem na Favela da Maré estão sob forte pressão psicológica: nos últimos 60 dias dezenas de pessoas morreram pela violência armada, devido às constantes trocas de tiros entre varejistas de drogas ilícitas, que disputam territórios para comercializar produtos que fortalecem os sistema capitalista, e também devido à equivocada política de segurança do atual governo, que envia policiais para confrontos abertos e ineficientes. Isso no plano imediato. Indo mais a fundo é possível responsabilizar, sem medo de errar, os poderes público e privado que, hoje, controlam o Rio de Janeiro. Os quadros do PMDB, principalmente Sérgio Cabral e Eduardo Paes, e seus financiadores privados, como banqueiros e empreiteiros (Globo, Bradesco, Braskam, Carvalho Hosken, Rio Massa Engenharia, e etc.), que impõem um modelo de cidade baseado na segregação, no consumismo, na opressão de classe. Chico Alencar foi o único parlamentar do Estado do Rio de Janeiro a acompanhar a manifestação dos cerca de 600 moradores da Maré, que se levantaram contra a violência neste domingo, dia 20 de setembro. Nenhuma corporação de mídia enviou jornalista, o que revela o seu descaso com o povo pobre.
Depoimento do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ):
chiconamare
Caminhamos pisando em cápsulas de balas detonadas! E vimos, nessa manhã dominical de rara paz na Maré, a violência sutil da mídia grande, que se autoproclama tão democrática, mas não enviou um repórter para cobrir o importante evento: de fato, a dor do pobre não sai no jornal. Menos mal que muitos jovens jornalistas, idealistas, lá estavam, produzindo releases, inserindo notícias nos sites alternativos, tirando fotos… Outra violência silenciosa é a omissão covarde das autoridades. De parlamentares que, na sua maioria, só aparecem na comunidade na época eleitoral. De membros do Poder Executivo, do Poder Judiciário, do Ministério Público, alheios à “guerra” letal que já matou, nos últimos dois meses, 20 pessoas! Quando exercia mandato de deputado estadual, fizemos muitos debates e questionamentos sobre a instalação de um Batalhão da Polícia Militar no Complexo da Maré, às margens da Linha Vermelha. Pois o Batalhão está lá, com 700 policiais. Incapaz de planejar uma “ação pacificadora” efetiva, indisposto a dialogar com a comunidade e reconhecer suas potencialidades para superar, com apoio de políticas públicas sérias e continuadas, essa desgraça, com vidas ameaçadas permanentemente. Será que o povo pobre e sofrido da Maré não merece nem o mínimo que algumas poucas outras comunidades agora recebem, por não poder ser emblematizado como “cartão postal” eleitoral? Isso não pode continuar.
Matéria do blog do jornal O CIDADÃO:
fonte: http://ocidadaonline.blogspot.com
Mais de 600 pessoas participaram nesta manhã de domingo (20/9), a partir das 8h, do ato Outra Maré é possível — Pela valorização da vida e o fim da violência. Moradores e militantes de organizações de Direitos Humanos, da igreja e entidades de dentro e de fora da comunidade organizaram o ato em reação à violência que tem provocado, sistematicamente, mortes na Maré, tanto em confrontos policiais como em conflitos entre traficantes de drogas.
Uma cerimônia religiosa deu início ao ato na Igreja São José Operário, na Vila dos Pinheiros, de onde os manifestantes partiram em caminhada pela Maré. O percurso incluiu as principais ruas das favelas Vila dos Pinheiros, Vila do João, Conjunto Esperança e Salsa e Merengue — que, há quatro meses, sofrem diretamente com a disputa de território entre facções rivais.
Com um carro de som e a percussão do bloco Se benze que dá, a caminhada — com bandeiras de vários países simbolizando a união dos povos — durou duas horas. No auto-falante, músicas religiosas se misturaram a palavras de ordem e a sambas, todos com letras de valorização da paz e da vida. Houve ainda atividades de arte para as crianças, que produziram faixas pedindo o fim da violência.
“É muito importante esse tipo de manifestação. Tinha que ter muito mais, uma vez por mês pelo menos seria bom, mas para mudar as coisas tinha que ter mais investimento em educação e saúde”, disse o vendedor Wesckley, de 27 anos, morador do Conjunto Esperança.
Buracos de balas nas paredes e cápsulas pelo chão eram os sinais concretos da violência observados durante todo o percurso. O último tiroteio ocorreu na tarde do sábado (19/9). Mas os conflitos se tornaram rotina diária a partir de maio, com dezenas de mortes, embora sem qualquer visibilidade pública ou posicionamento das autoridades. “A situação na Maré é dramática e a repercussão na sociedade é mínima. A grande mídia não reporta o que acontece. Tinham que estar aqui todos os deputados estaduais, federais e os vereadores, pois essa situação é de calamidade pública. O pobre não tem respeitado o seu direito à paz, tem que se mobilizar para conquistá-la”, disse o deputado federal Chico Alencar (PSOL).
Obs.: Esta reportagem é uma produção coletiva de comunicadores populares da Maré.

3 comentários sobre “FAVELA DA MARÉ SE LEVANTA CONTRA A VIOLÊNCIA E PELA PAZ”

  1. Realemente, é explicito e claro que a mídia (dedundantemente a globo) gira em torno de tudo no brasil, como não é de interresse da grande mídia, nao é de interesse para a grande parte dos politucos que só mostram a “cara” quando há alguma grande mídia, ganhando admiração(infelizmente) por estar no lugar certo com a mídia certa(para eles, claro). É triste, o povo luta, não ficamos quetos. Poderiamos sim fazer mais, so que, temos medo. E mais reclamar e ficar em casa vendo o JN falando mau do que pesquisar e se interessar pelo assunto, isso não e so politica é as nossas vidas e de nossos filhos…

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