Expulsos da ocupação da favela da TELERJ denunciam assassinato de três crianças

Por Ana Cristina Alves

Hoje 5000 pessoas foram expulsas pela prefeitura, aos moldes da repressão militar da época da ditadura aprimorada às condições da truculência atuais direcionadas à criminalização da pobreza, de uma área abandonada pela Telemar, administradora da Oi. Esta área estava desativada desde, pelo menos, 1998 quando foi comprada da TELERJ, por isso os moradores ocupantes estavam chamando de favela da TELERJ.

Foto: Mídia Ninja
Foto: Mídia Ninja

Ocupada desde o dia 31 de março por pessoas das favelas vizinhas à área que não suportavam o encarecimento dos aluguéis como consequência da especulação imobiliária devido à COPA e à instalação de UPPs, este dia escolhido pelos sem tetos nos traz à memória o golpe de 1964 e o regime militar que a sociedade viveu por 21 anos. Neste mês de abril em que se denuncia a impunidade que vem desde o fim da ditadura de 1964, após 50 anos ainda assistimos a outro golpe à sociedade brasileira: golpe ao direito à moradia e à função social da propriedade, garantidos no artigo 6º da Carta Maior e no artigo 184, 2ºparágrafo. O direito à dignidade, ao respeito, “a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão” do artigo 227.

A grande mídia não conseguiu esconder as arbitrariedades que foram impetradas durante o despejo. Nas imagens podia-se ver a polícia jogando pedras entre uma bomba de gás lacrimogênio e o spray de pimenta, todas estas armas usadas contra famílias inteiras, inclusive balas de fuzil. Apesar da grande mídia dizer que eram balas de borracha, as imagens eram de moradores desalojados mostrando as capsulas de fuzil. Um ocupante conseguiu, ainda, denunciar que a polícia não teria entrado para negociar a retirada, mas sim atirando, e com isso teria assassinado três crianças! Essa informação ainda não foi confirmada. Mas a todo momento a grande mídia dizia que os moradores começaram atirando pedras e a polícia “teve que intervir”, que a retirada dos barracos foi feita após a desocupação da área, mas podíamos ver as retroescavadeiras entrando junto com a polícia para expulsar as pessoas. Mas a população não se calou, na revolta popular queimaram uma viatura da polícia, pelo menos três ônibus, um caminhão e neste momento estão se dirigindo à prefeitura.

O Estado criminaliza a pobreza quando ao mesmo tempo em que a população mostra suas necessidades vitais que não estão sendo atendidas, arriscando suas vidas para isso, o mesmo responde com tiro, porrada e bomba, com o argumento de que são vândalos, marginais e oportunistas por terem a capacidade de demarcar espaço de forma organizada. Vale lembrar que nesta sexta (11/04), na ALERJ, às 10h, teve Audiência Pública sobre as remoções e a atuação da Defensoria Pública na Vila Autódromo e em outras favelas. Paralelamente à audiência, aconteceu uma Assembleia Popular das favelas e movimentos sociais nas escadarias da ALERJ, buscando chamar atenção da população sobre a questão e convocando para um ato público. Não há o que se esperar do Estado, este precisa sustentar as condições de pobreza na base da truculência onde as pessoas não encontrem amparos legais, pois são regidos pelo sistema de defesa dos ricos em detrimentos dos pobres. Vivemos a ditadura do capital. A revolta popular está longe de parar por aqui.

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