Evidências do não-jornalismo

Marco Aurélio Melo foi um dos jornalistas demitidos da Globo em 2006, naquela mesma leva de Luiz Carlos Azenha e Rodrigo Vianna. Os três, vez por outra, denunciam as maracutaias que testemunharam. Nesse texto abaixo, Marco oferece um exemplo claro como a luz do sol sobre a impossibilidade de as corporações de mídia praticarem Jornalismo:
http://maureliomello.blogspot.com (vale a pena acessar esse endereço, pois nele estão relatadas inúmeras histórias como a abaixo descrita)
Vocês pediram, então aí vai mais uma da série faz de conta. Era uma reportagem de fôlego. O ponto de partida: uma pesquisa, obtida com exclusividade, em 2004. Estabelecia uma relação direta entre abuso de álcool, sobretudo de cerveja, e índices de violência, criminalidade e saúde pública. Produtores foram a campo e coletaram flagrantes de ameaças, brigas e confusões, principalmente em bares que funcionam à noite nas regiões mais violentas de São Paulo, à época: Jardim Ângela, Capão Redondo, Parque Santo Antônio e alguns bairros da Zona Leste. Depois de editada, era o tipo de matéria que serviria para abrir o telejornal antes da novela, com o apresentador dizendo, de voz cheia: – Exclusivo! Nossos repórteres mostram como o abuso de álcool se transformou na maior doença do país. Mas o vídeo tape foi vetado para a exibição, foi para o freezer, no jargão. No diálogo que um dos produtores travou com o Guardião da Doutrina da Fé, ouviu o seguinte argumento: – Não podemos exibir uma reportagem assim, sabendo que a indústria de bebidas é a maior anunciante da casa e dona de cotas de patrocínio dos principais eventos esportivos que transmitimos. É um tiro no pé! E vai que algum deputado ‘maluco’ resolva propor uma lei que proíba a propaganda de bebida na TV? Já não basta o que eles fizeram com a indústria de cigarros… Um exemplo cristalino de como um interesse público pode dar lugar a interese comerciais de certas organizações, e pior, de como a imprensa pode deixar de atender às exigências de uma sociedade que clama por paz. Agora, mesmo que fosse ficção, que falta faz um deputado ‘maluco’, desses que legislam de olho nos interesses da nação, e não nos de um grupo econômico qualquer? O álcool é hoje a principal causa de violência doméstica (disse, ouviu rainha? violência do-més-ti-ca), pedofilia e outros crimes violentos, como assassinatos. Mas acho que nossa sociedade ainda não está preparada para ‘Apreciar com Moderação’ a concessão de serviço público. Que pena…

5 comentários sobre “Evidências do não-jornalismo”

  1. agora todo dia eles fazem uma reportagem sobre o crack sem dizer que o álcool faz tão mal quanto…nao acho estranho não…é tudo previsível ali…

  2. Mas e aí? Onde foi parar a AIDS? Nunca mais ouvi fala dela. Foi erradicada? Já encontraram uma cura? Que bom! Sim, porque morrem 2.321,05 pessoas de “Gripe A” e todo mundo usa máscara. Morrem milhões de AIDS no mundo e ninguém usa camisinha!
    Qual será o interesse envolvido nessa esquecimento? Que a Gripe Porcina foi feita pra vender Tamiflu muita gente já se tocou e que essa GRANDE campanha sobre o Crak é mais uma forma de promover a emissora todo mundo já viu. Mas esconder a AIDS, qual será o interesse?

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