El día después del recomienzo del año literario
La vida continúa
Entre dos momentos
La consciencia es contínua
Cose todos los instantes
La eternidad son instantes preservados
Mantenidos, guardados
Por eso la Consciência.
Por eso es que escribo
Por eso escribimos
Escribe aún quien no escribe
Si está vivo escribe
Vive anda habla canta come camina se mueve bebe
Ve televisión baila poetiza profetiza
Pero si lo hace por escrito no muere
Por eso no morimos los escritores
Aunque pueda llegar a llegar el día en que ya no
No será porque me haya muerto
Será porque pueda haberse llegado a acabarse mi tiempo
Pero el tiempo sigue
Sigue siempre.
La reunión ayer de las Travessias Literárias de la ADUFPB*
Me trajo de nuevo esta vivencia.
Recuerdo un amigo escritor, que me regaló un libro de su autoría, Linhas do meu tempo.
Saraiva. Luiz Saraiva, de saudosa memória.
Me lo regaló con una sonrisa irradiante
Entiendo su alegría, que es mía
Nadie me dice lo que debo escribir ni si debo o no decir esto o aquello.
Ayer recordé en mi sindicato, el sindicato docente de Paraíba
Lo que me hace escribir
Y lo vengo a compartir ahora en la revista que me guarda
Obrigado Consciência!
*A reunião de ontem das Travessias Literárias da ADUFPB teve como centro a reflexão sobre o livro de Macedonio Fernández, Museu do romance da eterna.
Um escritor argentino anarquista. Filósofo. Alguém que revolucionou a literatura.
Antes da reunião do coletivo, me permiti escrever algumas anotações, que partilho agora, o dia seguinte:
“Decidi tentar escrever o que até o momento, como leitor salteado, consegui compreender deste livro de Macedonio Fernández, Museu do romance da Eterna
Os textos lidos na tentativa de encontrar alguma orientação tanto quanto ao autor quanto a este livro, foram me dando algumas pistas (Álvaro Abós, Jorge Luis Borges, Susana Cella)
Entendo que se trata de uma obra aberta, o que creio que é comum a muitos livros, mas não no sentido que aqui encontramos
Toda leitura –e também toda escrita—é sequencial, continuação de outras leituras e escritas, incluindo, obviamente, a vida dos leitores bem como das personagens
Vida é movimento.
A humildade, e provavelmente a genialidade do autor e desta obra, é que aqui a inclusão é explícita: somos convidados a entrar e dar continuidade a este romance da Eterna
Da minha parte, me senti e me sinto ainda honrado com este convite, dado que se trata de um autor que influenciou Julio Cortázar e Jorge Luis Borges, dois dos mais singulares e criativos leitores-escritores argentinos
Em que sentido?
Que põem os livros, a leitura, como um espaço de existência, não de consumo ou uso, como certa “intelectualidade” gosta de fazer.
Escrevo, leio, crio, me crio, me construo, alargo meus horizontes, sou mais eu lendo do que me fechando a estes mundos que se abrem quando abro um ou muitos livros
Esta obra aberta me inclui explicitamente, digo. Inclui toda pessoa que a leia. Toda pessoa que tente ler ou de fato leia e se leia na escrita da vida, no tempo vivido desde a nascença ou antes, até agora e adiante.
Vou tentar marcar alguns pontos que achei e continuo achando sugestivos.
Personagem Simples (simplicidade e despreocupação)
Bom humor combate o excesso de pensamento ou os pensamentos negativos. Traz para a realidade. (Abre espaços). Poetiza.
Prazer, amor, eternizam. “Só a Paixão plenamente realizada pode eternizar um instante…a memória triunfa sobre a Eternidade” (171)
Individualidade e Ser
Amizade. Construção coletiva. Comunidade.
Resgato aqui uma observação sobre o autor, feita por Jorge Luis Borges, que me chama poderosamente a atenção: “Tinha (Macedonio Fernández) acostumado os seus sentidos a não perceber o desagradável e a se demorar em um agrado qualquer…” (Prólogos, con un prólogo de prólogos, Buenos Aires: Sudamericana, 2016, p. 76)
Os prazeres de cada dia (165). Trato de focar nesses momentos, como forma de ver a vida boa e ser feliz.
Busca a liberação da noção da morte (42). Desacomodar interioridades, identidades. (42)
Diário (164). “Uma obra onde as personagens entram e saem”.
Agora, no dia seguinte, acordo com esta alegria da certeza da permanência da consciência.
Momentos de leitura.
Prazer no reencontro
Continuidade da vida.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
