Esterilização: primeiro as favelas da capital depois a Baixada

Por Lene de Oliveira

A nova política pública pensada pelo governador do Rio de Janeiro para redução da violência parece estar dentro da atual onda nazi-fascista que preconiza o extermínio de seres humanos de menor valor. Uma política pública que reforça o aniquilamento da população pobre. Neste sentido, o primeiro passo seria a esterilização das comunidades carentes do Rio para pacificar a capital, e o segundo passo seria a Baixada Fluminense e grande Niterói, para não haver migração.

Se as mulheres das favelas não conseguem uma orientação para o planejamento familiar e não de controle da natalidade é porque não chegou até lá uma política pública adequada, tanto de educação como de saúde reprodutiva. De fato, deve ser facultada às mulheres a decisão de interrupção de gravidez, por ser concernente a uma democracia autêntica, laica e de respeito à liberdade individual, não pelas razões apresentadas pelo governador. Mas, este tipo de política pública deve custar muito aos cofres públicos para uma população que parece valer tão pouco dentro da lógica do atual governo à qual os cidadãos fluminenses estão entregues.

É bem provável que a próxima política pública com fins de garantir a segurança da população seja a criação de muros com guaritas de identificação no acesso das favelas.

Talvez nosso governador esteja precisando renovar os livros de sua biblioteca, pois há muito nas ciências sociais não se associa a violência à pobreza. Recomendamos também o acesso ao site ou publicações de movimentos e organizações feministas como SER MULHER – Centro de Estudos e Ação da Mulher Urbana e Rural, CAMTRA – Casa da Mulher Trabalhadora, CEMINA – Comunicação, Educação e Informação em Gênero, CRIOLA, SOS CORPO – Instituto Feminista para a Democracia, entre outros.

Lene de Oliveira é cientista social, Mestre em Política Social e colaboradora da ONG ComCausa. Contato: lene@comcausa.org.br

Nota da revista
A Revista Consciência.Net selecionou os contatos sugeridos pela autora (ver abaixo) e os enviou para o governador em exercício do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e para a Secretaria de Segurança. Ressaltamos o perigo de se adotar uma política pública por meio da lógica de que “as favelas são fábricas de marginais”, em total desrespeito às mulheres que, na favela ou no asfalto, necessitam de informação e educação de qualidade, e não de mais confrontos militares ineficientes e assassinos.

SER MULHER – Centro de Estudos e Ação da Mulher Urbana e Rural
Tel.: (22) 2523-5282
Email: sermulher@sermulher.org.br
Site: http://www.sermulher.org.br/

CAMTRA – Casa da Mulher Trabalhadora
Tel.: (21) 2544-0808
Email: camtra@camtra.org.br
Site: http://www.camtra.org.br/

CEMINA – Comunicação, Educação e Informação em Gênero
Tel.: (21) 2262-1704
Email: cemina@cemina.org.br
Site: http://www.cemina.org.br/

CRIOLA
Tel.: (21) 2518-6194/ 2518-7964
Email: criola@criola.org.br
Site: http://www.criola.org.br/

SOS CORPO – Instituto Feminista para a Democracia
Tel.: (81) 3087-2086 / 3445-2086
Email: sos@soscorpo.org.br
Site: http://www.soscorpo.org.br/

Enviado para os emails governadorrj@gabgovernador.rj.gov.br, gabcivil@gabcivil.rj.gov.br e ouvidoriadapolicia@proderj.rj.gov.br em 20/11/2007.

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