Estão matando nossos heróis

Cartazes como este eram exibidos nas manifestações da direita (Foto: Reprodução da Internet)
Cartazes como este eram exibidos nas manifestações da direita (Foto: Reprodução da Internet)

Dizem que temos de fazer concessões, que antes era mais fácil, mas agora com este presidente e um monte de nossos parceiros no governo fica mais difícil dar credibilidade à nossa luta, fica mais complicado pegar o Lula. Mas não me conformo com a degola do nosso chefe.
De Salvador (BA) – Bons tempos aqueles em que nossos heróis eram merecidamente exaltados nas ruas. Éramos felizes e sonhávamos com um mundo expurgado de corruptos, daquela raça de corruptos…
Mas apenas dois, três anos depois, as cartas começam a se baralhar e não sabemos mais se podemos confiar nos Marinho da Globo, nos nossos parceiros da mídia, do Ministério Público, da Polícia Federal, da Justiça e do Congresso.
Vejam agora o golpe traiçoeiro dos mais de 200 “amigos” do nosso Eduardo Cunha. Que ultraje! que falta de honradez! ajudaram sem qualquer mostra de lealdade ou remorso a levar ao cadafalso o nosso herói maior, o nosso chefe, sempre destemido e valente.
Temos, pelo menos, a nos consolar a demonstração cabal de dignidade dos nossos dez parceiros que afrontaram os algozes e, de cabeça erguida, à altura do grave momento histórico, votaram contra a degola do nosso líder. Menção honrosa a eles (relação abaixo).
Admito que perdêssemos por uma diferença apertada, poderia ser considerado normal porque em todos os momentos históricos decisivos há sempre alguns covardes. Mas 450 votos representam uma afronta. Como podemos continuar na luta sem cultivar a lealdade aos chefes?
Como ficaram neste grave momento nossos parceiros da mídia, da Justiça, do Parlamento? O que nos diziam – e nós acreditávamos – é que a nossa cruzada era apenas contra aquela raça de corruptos populistas, aquela gente com mania de fazer a detestável “inclusão social”, aquela gente que, apesar de fazer vistas grossas para o rentismo e os paraísos fiscais, tinha obsessão por ajudar pobres e preguiçosos.
Com essa gente que não reconhece o mérito individual e a linhagem sadia das pessoas não tem conversa, só pau mesmo. Lava Jato nessa gente, que a Globo está aí mesmo pra nos dar sustentação.
Parece que nossos líderes chegaram à conclusão que não bastava entregar ou assustar alguns dos nossos da raia miúda. Dizem que têm esses sujos dos blogs, da imprensa chapa branca, da mídia internacional, esse enxerido do Glenn Greenwald, esses ratos das redes sociais, que atrapalham, não temos mais a unanimidade. “Temos a hegemonia, mas não temos a unanimidade”, me disse um deles outro dia.
Daí que temos de fazer algumas concessões para manipular a cabeça dos bem intencionados, dos ingênuos. Dizem que antes era mais fácil, mas agora com este presidente e um monte de nossos parceiros no governo fica mais difícil dar credibilidade à nossa luta contra a corrupção, fica mais complicado pegar o Lula.
Sei que temos de compreender que a Globo e seus parceiros já fizeram o diabo pra mostrar os podres do PT, dos governos de Lula e Dilma, e fizeram bem, foi uma campanha muito bonita e vitoriosa, ganhamos grande parte do povão, esses debiloides…
Não podemos esquecer, por exemplo, o espaço e o destaque que os jornais, rádios e TVs dão a todas as declarações do nosso representante no Supremo.
Não podemos esquecer, por exemplo, que o Supremo segurou meses e meses o nosso Cunha lá na presidência da Câmara, até que ele defenestrasse aquela coisa da Presidência.
Mas entregar a cabeça do chefe, foi demais. Me esforço para compreender que, talvez assim, possamos segurar o Aécio, que está a cada dia mais ameaçado, mas é bem protegido, o Serra, o Renan, o Alckmin e o próprio Temer. Mas, sinceramente, não me conformo, Cunha era nosso símbolo maior. Quanto tempo levaremos para formar um outro líder daquela estirpe?
PS: Os dez parceiros fiéis que votaram contra a cassação: Carlos Marun (PMDB-MS), Paulo Pereira da Silva (SD-SP), Marco Feliciano (PSC-SP), Carlos Andrade (PHS-RR), Jozi Araújo (PTN-AP), Júlia Marinho (PSC-PA), Wellington (PR-PB), Arthur Lira (PP-AL), João Carlos Bacelar (PR-BA) e Dâmina Pereira (PSL-MG).
(*) Jadson Oliveira é jornalista baiano. Trabalhou nos jornais Tribuna da Bahia, Jornal da Bahia, Diário de Notícias, O Estado de S.Paulo e Movimento. Depois de aposentado virou blogueiro e tem viajado pela América do Sul e Caribe.

Deixe uma resposta