Estado Palestino: ameaças de Israel causam desconforto até nos EUA

Souvenir da delegação palestina que reivindica, junto à ONU, reconhecimento da independência nacional

Às vésperas da Assembleia Geral da ONU que poderá aprovar a criação de um Estado Palestino independente [leia nossos textos: 1 2], dois dos principais apoiadores de Israel — Estados Unidos e Grã Bretanha — incomodaram-se com a radicalização e ameaças crescentes disparadas por seu aliado. Diplomatas norte-americanos e britânicos alertaram Telavive, segundo o diário londrino The Guardian que tal atitude poderá provocar isolamento ainda maior dos que se opõem à reivindicação palestina.
A reação seguiu-se a declarações fortemente agressivas de governantes israelenses — principalmente os ligados à extrema direita. Os ministros das Relações Exteriores (Avigdor Lieberman) e Finanças (Yuval Steinitz) sugeriram sequestrar fundos fiscais arrecadados por Israel em nome da Autoridade Palestina. Outras autoridades chegaram a propor a anexação formal, por Telavive, das regiões da Palestina onde estão instaladas colônias de ocupação ilegais — em geral, habitadas por fundamentalistas judeus. Ouvido pelo jornal, o diplomata palestino Nabil Shaat, afirmou que tais atitudes não abalarão o pedido de reconhecimento: “Não estamos dispostos a trocar direitos por dinheiro”.
Enquanto isso, a agência de notícias britânica BBC divulgou os resultados de uma pesquisa de opinião pública realizada em 17 países, a respeito do Estado Palestino. Entre os entrevistados, 49% defenderam sua criação e reconhecimento pela ONU; apenas 29% manifestaram-se contra. Segundo a BBC, há maioria pró-palestinos inclusive nos Estados Unidos (45% x 36%) — o que torna ainda mais ilegítimas as iniciativas da Casa Branca contra o voto pró-independência na ONU.
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(*) Matéria publicada originalmente no Outras Palavras, do Le Monde Diplamatique Brasil.

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