Estado é financiado pelos mais pobres

Tributação deveria ser maior sobre o patrimônio e não sobre a renda
Do Diário do Nordeste, 22/04/2007

Com base nos dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2002/2003, o Unafisco estima que as famílias com renda de até dois salários mínimos arcam com uma carga tributária indireta (sobre o consumo) de 46% dos seus rendimentos, enquanto que as famílias com renda superior a 30 salários mínimos gastam apenas 16% do que ganham em tributos sobre o que consomem. O resultado, explica a auditora fiscal da Receita Federal, Liduína Ribeiro, é uma carga tributária regressiva, ao contrário da tributação sobre a renda e o patrimônio que é progressiva, com os que têm maior poder aquisitivo contribuindo de acordo com sua capacidade de pagamento.

“Isto significa que o Estado Brasileiro é financiado pelas classes de menor poder aquisitivo e pelos trabalhadores, com a população de baixa renda suportando uma elevada tributação indireta, ou seja sobre o consumo, que representa a parte mais significativa da arrecadação”, conclui. De acordo com Liduína, o pior disso tudo é que o brasileiro, de forma generalizada, não sabe que está pagando tantos impostos, apesar de a Constituição determinar que o consumidor seja esclarecido acerca dos tributos incidentes sobre o consumo.

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