
Em Paris a multidão
Ali no Champes-Élysées,
Trazia um tique ou um quê
Que transcendia a razão.
Com o celular numa mão,
Apontando para o céu,
A selfie era qual troféu
Que se troca pelo abraço…
O afeto perdeu espaço
No réveillon do mundéu.
Aconteceu em Paris
E ocorre em todo lugar,
O que vale é registrar,
O flash é a força motriz.
Vida plena, vis-à-vis?
Estaria envolta em véu,
Num cômodo de mausoléu,
já morta pelo cansaço…
O afeto perdeu espaço
No réveillon do mundéu.
Martim Assueros
Réveillon de 2024
Foto: Pessoas registram com celulares os fogos de artifício junto ao Arco do Triunfo, na avenida dos Champs-Élysées, durante as celebrações do Ano-Novo – Reprodução_Folha de São Paulo/Leia isso_Mariliz Pereira Jorge_2/1/2024
https://leiaisso.net/mlf2k/
Bacharel em Ciências Sociais, ambientalista e poeta.

Sua poesia desperta a sensibilidade mais profunda
Um estar no mundo pleno
Convoca a vida em toda a sua multidimensionalidade
Chama para um presente rico e unificado.
Crítica cultural positiva.
Política se faz assim, também
Cotidiano ressignificado
A fugacidade da existência em todo o seu esplendor