
Por Antonio Francisco
Escrever é meditar
Todo dia, o dia inteiro,
Fazer do vento uma escada,
Do luar um candeeiro,
Pra ver o rosto de Deus
Por detrás do nevoeiro.
É viajar sem temer
No barco da Liberdade,
Num rio feito de versos
Pela criatividade,
Olhando pela janela
Dos olhos da humanidade.
É viver plantando sonhos
Onde mais ninguém plantou,
Sonhar colhendo a semente
Do sonho que ele sonhou,
E sugar o mel das pétalas
Da roseira que secou.
É andar pelas estrelas,
Sem tirar os pés do chão,
Almoçar pontos e vírgulas,
Jantar rima e oração,
E andar na mesma trilha
Dos passos do coração.
É plantar grão de esperança
Numa batalha perdida,
Replantar pontos e vírgulas
Numa folha ressequida,
Deitado nos pés do tempo,
Olhando o rosto da vida.
É transformar um deserto
Numa bonita savana,
Viver dezessete séculos
Num simples fim de semana,
E andar pelas veredas
Das veias da raça humana.
É andar catando história
Nas caatingas do Sertão,
Pisar em cima da pedra
Onde pisou Lampião,
E ver a lua nascer
Na palma da sua mão.
É sentir a dor alheia
Calando a boca da sua,
Passar a noite acordado
Pelas esquinas da rua,
Bebendo o suor da noite,
Compondo versos pra lua.
Ser escritor é pisar
Onde ninguém bota o pé,
É ser Zé Ninguém sem ser
Escravo de nenhum Zé,
E viver plantando sonhos,
Saudade, vontade e fé.
Cordelista Antonio Francisco, Mossoró-RN.
Versos extraídos do Youtube de Fabio Brazza, de 10/11/2015, com a declamação do próprio autor: https://encurtador.com.br/diCby
Imagem: Internet / UFPB/CCSA: https://encurtador.com.br/0CrzA
