Escravos contemporâneos: 121 migrantes haitianos foram resgatados em 2013 no Brasil

Cama improvisada na frente de alojamento de trabalhadores haitianos de obra do 'Minha Casa Minha Vida' em Cuiabá (MT). Foto: MTE, via Repórter Brasil

Flagrantes foram em obra da mineradora Anglo American em Conceição do Mato Dentro (MG) – o maior deles – e em uma obra ligada ao “Minha Casa Minha Vida” em Cuiabá (MT). Reportagem de Stefano Wrobleski para o Repórter Brasil.

Cama improvisada na frente de alojamento de trabalhadores haitianos de obra do 'Minha Casa Minha Vida' em Cuiabá (MT). Foto: MTE, via Repórter Brasil
Cama improvisada na frente de alojamento de trabalhadores haitianos de obra do ‘Minha Casa Minha Vida’ em Cuiabá (MT). Foto: MTE, via Repórter Brasil

O Haiti é o país em que ocorreu a mais famosa revolta de escravos durante o período colonial. Em 1791, milhares de pessoas começaram uma revolta que culminou na abolição da escravidão do país, tornando-se o primeiro do mundo a abolir a prática. O processo abalou proprietários de escravos em toda a América e inspirou diferentes mobilizações em outros países.
Mais de dois séculos depois, haitianos voltam a ser escravizados, agora no Brasil.
Ao todo, 121 migrantes foram resgatados de condições análogas às de escravos em duas operações diferentes realizadas em 2013.
Na maior delas, em que 100 pessoas foram resgatadas, o auditor fiscal Marcelo Gonçalves Campos, que acompanhou ação de fiscalização pelo Ministério do Trabalho e Emprego, comparou a situação em que um grupo estava alojado com a da escravidão do passado. “Uma das casas parecia uma senzala da época da colônia, era absolutamente precária. No fundo, havia um espaço grande com fogões a lenha. A construção nem era de alvenaria”, afirmou.
A exploração de migrantes no Brasil está relacionada à ausência de políticas públicas adequadas, que deixa milhares de pessoas em situação vulnerável. A estimativa é de que 22 mil haitianos migraram para o país desde 2010, ano em que aconteceu o mais intenso terremoto da história do país.
O Brasil, à frente das tropas da ONU que invadiram e ocupam o Haiti desde 2004, virou um dos destinos escolhidos entre os desabrigados na tragédia.
Os dois casos de trabalho escravo recentes são os que mais ganharam destaque e receberam atenção das autoridades. Movimentos sociais e organizações que trabalham em defesa de direitos de migrantes ouvidas pela reportagem alertam que os casos se multiplicam no país e que há violações que não se tornam públicas.
Os flagrantes foram em obra da mineradora Anglo American em Conceição do Mato Dentro (MG) – o maior deles – e em uma obra ligada ao programa de moradia do Governo Federal “Minha Casa Minha Vida” em Cuiabá (MT).
Saiba mais sobre os casos na reportagem da Repórter Brasil, clicando aqui.

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