Entusiasmo e esperança marcam o debate da Juventude no Fórum Social Mundial

tico-2Porto Alegre (RS)- Uma das mesas mais entusiasmadas até o momento no Fórum Social Mundial, realizada na tarde de ontem (20/01), em Porto Alegre, foi a tenda com o tema:Juventude: Resistência e Luta por Direitos e Democracia. Foi necessário levantar a lona lateral de sua estrutura, instalada no Parque da Redenção, para que todos pudessem participar.
A presença do artista e ativista político Tico Santa Cruz motivou a juventude, que demostrou-se firme em suas lutas e convicções. A nova geração prometeu cada vez mais aumentar a participação nos rumos do país.
Abrindo a mesa, Adriele Majabosco, presidente da Juventude do PT/RS, falou sobre a situação atual das universidades no Brasil. “Não dá para a gente ter uma juventude cerceada por uma elite. Temos uma elite hoje que é extremamente retrógrada. Somos cotidianamente digladiados. A universidade ainda não tem a nossa cara, é ainda racista, homofóbica e sexista”, disse.
tico-4Camila Lanes, presidente da União Brasileiro dos Estudantes Secundaristas (Ubes), destacou os retrocessos que partidos conservadores têm pautado para educação nos governos estaduais de São Paulo e Goiás, ambos do PSDB. Destacou o esforço dos jovens que ocuparam as escolas sem esmorecer diante às perseguições da Polícia Militar, e disparou críticas ao modelo de educação atual.
“Nós não vamos permitir que a educação pública seja esquecida no debate do dia a dia. Queremos uma reformulação do ensino médio e da educação básica. Temos que nos formar para sermos cidadãos críticos”, afirmou.
Outra que compôs o entusiasmado time feminino da mesa foi Carina Vitral, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Ela destacou a importância e conquistas dos quinze anos de fórum. “Construímos no Brasil marcas muito importantes que mudaram o país e a América Latina. O Brasil de hoje é diferente de 15 anos atrás. Negro e pobre tem oportunidade de estudar”, destacou.
ticoEla também falou do projeto de lei que tenta impor cobranças na mensalidade da educação pública. “No projeto do Senador Crivella, que tenta colocar mensalidade na universidade pública, a justificativa é que rico deve pagar para estudar. Se rico tem que pagar que seja pelo imposto. Ai a gente concorda. Mensalidade é mercantilização, é privatização. Isso nós não vamos aceitar. Toda América Latina luta contra a mercantilização da educação”, destacou.
Mesmo com discursos ricos e extremamente motivados, a expectativa maior era ouvir Tico Santa Cruz. Ele destacou a importância do evento e disparou contra a grande mídia. “Acredito na importância desse diálogo. Somos um país em que 70% da mídia está nas mãos de poucas pessoas. As referências que nós temos não são democráticas. Muito do que eu desenvolvo é um trabalho de desconstrução. Precisamos descontruir mentiras, boatos”, propôs.
tico-3Em seguida, disparou contra classe artística no Brasil e rebateu as críticas que vem recebendo. “Eles conseguiram anular na década de 80 o Raul Seixas, Cazuza. O papel do artista não pode ser só entretenimento. O artista tem a responsabilidade de participar das questões políticas, sociais, econômicas. Chega de uma classe artística omissa que não quer se comprometer para não ficar mal na fita, que tem medo de não ir à Rede Globo, perder dinheiro. Dizem que eu ganho dinheiro do PT, que eu sou pago para defender o governo. Defendo a democracia, um governo legítimo”, se defendeu.
O artista também falou das divergências ideológicas entre a esquerda e concluiu elogiando a força da internet. “Nesse momento, as divergências da esquerda têm que ficar de lado. O lado de lá se organiza. Precisamos combater essa onda que sobrevive da ignorância política de muitos. Estão associando a esquerda à criminalidade, como se isso fosse uma verdade absoluta. Os movimentos sociais são importantíssimos na defesa dos trabalhadores e das pessoas carentes. As redes sociais são a revolução. São democráticas. Temos que ocupar para não ficarmos reféns dos grandes meios. Temos que desconstruir mentiras e postar a verdade”, finalizou.
(*) Paulo Branco é professor de Artes Marciais e cronista. Fotos: Byron Prujansky

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