Entendendo a depressão

Da Agência UFRJ

O Centro de Estudos Professora Lúcia Spitz debateu a depressão no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) na última quarta-feira (17/12). Na primeira palestra, Antonio Luiz dos Santos Werneck, médico do Serviço de Neurologia do HUCFF, falou sobre a relação entre o distúrbio e a neurologia.

Werneck começou com uma pequena revisão de anatomia funcional. O objetivo foi mostrar que doenças do sistema nervoso central podem vir com depressão. Segundo ele, os sintomas neurológicos mais importantes relacionados a quadros depressivos são dor e vertigem. “Muitas vezes os pacientes apresentam episódios de depressão durante a enxaqueca, caracterizados por crises de mau humor”, observou o neurologista.

Por meio de imagens, ele mostrou as áreas do cérebro onde surgem as doenças neurológicas. “Uma série delas, como a doença de Parkinson, doença de Huntington e diversas outras, degenerativas, cursam com depressão”, aponta Werneck. De acordo com ele, o pior quadro depressivo vem com a paraplegia. “Testes mostram um declínio absoluto na qualidade de vida dos pacientes paraplégicos”, indica. A esclerose múltipla amiotrófica também é outra doença que pode se diagnosticar com mecanismos depressivos. Ele ainda ressaltou que episódios decorrentes de depressão vêm associados a um maior risco de doença de Alzheimer.

Diagnóstico complicado

O outro palestrante foi Marco Antonio Brasil, chefe do Serviço de Psicologia Médica do HUCFF. Ele acredita que a depressão é um distúrbio de difícil diagnóstico e salientou que a grande dificuldade começa pelo fato de o médico lidar com sentimentos humanos como tristeza, ansiedade, angústias e desesperanças. “A grande questão é: quando eles passam a ser motivo de preocupação médica?”, questiona o professor. Ele acredita que atualmente há um exagero em termos de se denominar como depressão quadros que na verdade são apenas de tristeza.

— Há um paradoxo: a depressão é um transtorno ainda sub-diagnosticado, mas ao mesmo tempo muito diagnosticado. É possível que as duas coisas estejam certas, pessoas com depressão não são diagnosticas e o contrário também ocorre — aponta Brasil. Para ele, o profissional que lida com depressão precisa ter uma visão global, que envolva aspectos psicológicos, orgânicos, questões culturais, sociais e ambientais. Para tal, julga necessário levar sempre em conta os fundamentos da boa prática clínica, que incluem boa relação com o paciente. “A causa da depressão ainda é desconhecida e provavelmente engloba uma série de fatores”, conclui Marco Antonio.

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