Eleição na Venezuela: as ruas neste domingo foram dos antichavistas


Vendendo saúde e juventude, Capriles adentra a Praça Caracas, após caminhada de 10 quilômetros (Foto do sítio http://www.6topoder.com)


Praça Caracas tomada por manifestantes antichavistas (Demais fotos: Jadson Oliveira)

De Caracas (Venezuela) – Oficialmente, a partir de ontem, domingo, dia 10, Henrique Capriles Radonski está inscrito no Conselho Nacional Eleitoral (CNE, nosso Tribunal Superior Eleitoral/TSE) como candidato a presidente da República Bolivariana da Venezuela. Para os partidários do presidente Hugo Chávez Frías, no poder há 13 anos, candidato à segunda reeleição e demonizado pelas corporações da mídia internacional, é o homem das velhas oligarquias e do império estadunidense, da direita, escolhido como instrumento de mais uma tentativa de desestabilização da “revolução bolivariana, rumo ao socialismo”.
Mas para os antichavistas, Capriles – de apenas 39 anos, ex-governador do estado de Miranda – é o candidato “da unidade”, dos que querem “uma só Venezuela, sem violência e com oportunidade para todos”. Tem se apresentado com uma linguagem mais sóbria, sem os ataques raivosos contra Chávez que caracterizaram a oposição nos primeiros anos e com um discurso de pretensões de centro-esquerda.

“O ônibus do progresso”: cores da bandeira da Venezuela e a bandeirinha dos Estados Unidos
Trecho da Avenida Baralt, como extensão da Praça Caracas

Ontem, domingo, pouco depois das 14 horas (15:30h em Brasília), vendendo saúde e juventude – o que se contrapõe a um Chávez de 57 anos, em tratamento contra o câncer -, depois de uma caminhada de 10 quilômetros, ele adentrou a Praça Caracas, centro da capital venezuelana, para falar aos milhares de apoiadores que começaram a encher o local desde as 9/10 horas. Quando Capriles chegou, apesar da amplitude da tradicional praça, os antichavistas já estavam esparramados por ruas circunvizinhas.
Os organizadores do evento capricharam na mobilização. Conforme anunciaram, os manifestantes partiriam de oito pontos da cidade e convergiriam para a praça, onde estão vários órgãos governamentais, como a sede do CNE, e uma das inúmeras estátuas do libertador Simón Bolívar. Eles quiseram mostrar força para servir de contra-ponto aos desanimadores (para os antichavistas) resultados de todas as pesquisas de opinião confiáveis, que estão sempre com uma diferença em torno de 30 pontos em favor do presidente (a última, divulgada pelos jornais no sábado, da Internacional Consulting Service, deu 59,4% a 29,1%).
“Estes eventos (referência ao de Capriles no domingo e ao desta segunda de Chávez, que também se inscreverá no CNE e fará concentração na mesma Praça Caracas) mostrarão uma comparação real, uma pesquisa nacional, onde no domingo Henrique Capriles estará acompanhado de milhares de pessoas que vão de maneira espontânea com o povo que o apóia e quer um país melhor; enquanto que na segunda-feira o partido do governo obrigará os funcionários públicos a descer dos ministérios para encher as ruas…”, comparou acusando Leopoldo López, da coordenação do Comando Venezuela, que aglutina os vários partidos unidos nesta eleição contra o chavismo, conforme matéria de El Universal, um dos jornais conservadores que fazem campanha aberta contra Chávez.

Un Novo Tempo, Avançada Progressista e Primeiro Justiça: três dos partidos que enfrentam o amplo favoritismo de Chávez
A cor amarela do Primeiro Justiça foi a predominante na manifestação

Quantos foram ouvir Capriles? Quantos vão ouvir nesta segunda Chávez? Independentemente da guerra de números entre a imprensa opositora e a “oficialista” (no Brasil, governista), milhares (dezenas de milhares?) estavam lá: com cartazes e bandeiras de seu partido – a de maior presença era amarela, do Primeiro Justiça, mas havia de outros: Um Novo Tempo, Avançada Progressista, Vontade Popular, etc -, fazendo barulho com cornetas, dançando ao som de alguns grupos musicais e repetindo palavras de ordem gritadas primeiro pelos animadores de comício – como “se vê, se sente, Capriles presidente”. E, no final, aplaudiram o discurso do seu candidato:
“Eu estou com vocês, eu amo este país acima de qualquer coisa… minha vida é a Venezuela, minha vida são vocês, minha vida é o povo… eu quero ser o primeiro servidor público deste país… eu estou a serviço de vocês, não vocês a meu serviço… o outro candidato propõe uma Venezuela dividida… Capriles propõe uma Venezuela unida… o outro candidato propõe uma Venezuela de violência, Capriles propõe uma Venezuela de unidade…”
(*) Jadson Oliveira é jornalista baiano e vive viajando pelo Brasil, América Latina e Caribe. Atualmente está em Caracas (Venezuela). Mantém o blog Evidentemente (blogdejadson.blogspot.com).

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