Elegia minguante

Da janela do seu quarto minguante
Um juízo aluado em lua cheia
Que espera do alto o seu calmante
Uma lua aplicada em sua veia

Um clarão que invade a alma adentro
Irradia uma luz pura, vestal
Que mergulha no vão do epicentro
E fenece na luz da pineal

Qual fagulha, uma chispa, uma centelha
Que se solta da brasa e logo esfria
Se esvaindo qual chuva em mansa telha

Tudo rui, se desfaz na ventania
Tão fugaz qual ruflar de uma abelha
Tão real quanto a minha alegoria

Martim Assueros

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