O meu trabalho é o seu regozijo.
Meus poucos momentos de alegria, o seu prejuízo.
Riqueza, de todo e qualquer tipo, é o que produzo
E à miséria é ao que sou relegado, é ao que me resumo.
Meu corpo se gasta, se molda, se disciplina
A minha vida se passa
Sem graça e com pressa;
Meus olhos mal conseguem acompanhar
o crescimento dos meus filhos;
e é aí que me lembro que alguns deles
sequer conseguiram crescer…
Quando meu dia termina
Não é um dia a mais,
é um dia a menos.
O meu dia perdido
E minhas mãos ásperas, quase petrificadas,
São o seu amanhã garantido.
Em suma:
A sua alegria e a sua esperança
São a minha desgraça.
O meu hálito selvagem
Cheira à liberdade,
Enquanto meu corpo transpira justiça.
Meus pés rudes e meus passos firmes, sem vacilar,
Carregam-me na direção correta.
O medo e a incerteza não são suficientes para me fazer recuar;
Não estou sozinho!
A colisão é inevitável e necessária.
Não há outro meio, outra forma, outra alternativa.
Depois do choque e do barulho ensurdecedor
Um silêncio mórbido paira entre o concreto e o asfalto avermelhado;
O tempo pareceu parar, incrédulo com o que presenciou.
E é nesse momento, patrão,
Que aproveito para lhe trazer a última e derradeira mensagem:
A sua história se encerra aqui, para que a minha se inicie.
