Ditaduras: para que nunca mais voltem!

Foto: Reprodução da Internet.
Foto: Reprodução da Internet.

Nasci debaixo do regime militar. Somente fui me dar conta do que era o regime militar quando tinha uns onze ou doze anos de idade. O país sofria da hiper inflação, desfrutávamos de poucos recursos, pois o dinheiro já estava corroído e a violência corria solta dentro das favelas (nesta época, a violência sangrava nas favelas). O regime militar deixou nos saudosistas do passado e presente uma falsa sensação de liberdade e segurança. Fico imaginando que essas pessoas faltaram às aulas de história ou estavam nas mesas e bancos das escolas fazendo a extensão de seus lares. Não entendo como ter saudades de um regime político que sucateou os serviços básicos de grupos sociais mais vulneráveis e que até hoje não recuperamos e nem há sinal de melhoras.
Conversando com pessoas da minha geração e os mais jovens observo elogios ao regime militar, e eu fico perguntando a mim mesmo: que país é este em que essas pessoas viviam?
O regime militar deixou uma falsa sensação de segurança que nunca existiu de fato. “O milagre econômico” foi um sucesso para quem tirou proveito de seus lucros. Do lado da população menos cobiçada, os índices de desenvolvimento humano eram os piores do mundo. O bolo do lucro econômico era mal divido,estava na mãos de poucos .
A crise política que há neste país vem acompanhada com vozes do inferno defendendo a volta dos militares ao poder do país. Se junta a isso os filhotes do regime militar saindo às ruas para que esses voltem ao poder central. O meu alivio é perceber que militares de alta patente querem distância da “volta” ao poder .
Em tempos de radicalização via redes sociais, há um forte enfretamento de grupos de nacionalistas exacerbados e avessos à diferença, com forte e loucamente adeptos à violência, reivindicando um Estado fascista, forte e opressor. Já dizia o dramaturgo alemão Bertolt Brecht que “a cadela do fascismo está sempre no cio”. Eu acrescentaria também que as feras carniceiras sempre esperam o bote final para devorar ainda vivo o seu alimento e regurgitá-lo depois.
Essa cultura do ódio já estava conosco há tempos. Nunca fomos um povo pacifico conforme querem passar essa imagem. Há no brasileiro o desejo de ficar sempre ao lado de quem oprime. Sentindo-se mais excitação com a violência.
Os sinais mais claros desse pensamento neofascista testemunhamos em dois momentos recentes: a execução da vereadora Marielle Franco e o disparo de bala no ex-presidente Lula. Esses dois episódios foram comemorados nas redes sociais. A cadela do fascismo e as hienas não perderam a oportunidade e devoraram os dois sem compaixão. Ainda há o Messias da política apostando numa frente moralista cristã, promovendo um Brasil mais armado, mais intolerante e ignorante.
No final do mês de março, fará mais um ano do golpe militar. O pretexto para os militares tirarem um presidente legitimo do poder era proteger o país do “comunistas”, defender a família sob a benção de Deus. Daqui a oito meses o AI-5 estará completando cinquenta anos.
Sou testemunha ocular do desmonte do país. Onde vamos parar não sei porque a história, ela nos ensina a aprender com experiência do passado para compreender o momento atual. A história não diz como será o amanhã. Ainda bem.

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