O desastre pode estar sendo passado como salvação

lobo
Assim que vazaram os áudios de Sergio Machado, a Operação Lava Jato ganhou, mais uma vez, ares de salvadora da pátria. O fato de alguns velhos caciques da nossa política estarem na mira da justiça fez grande parte da população acreditar que existe uma luz no fim do túnel e o país em breve caminhará para uma ampla moralização.
Tendo como referência a Operação Mãos Limpas, na Itália, a Lava Jato pretende moralizar a política brasileira, colocando grandes nomes do executivo e empresários na cadeia. Como Sergio Moro disse tempos atrás, o apoio da população é fundamental para que a operação continue a todo vapor.
Iniciando as análises, é preciso ressaltar que a operação Mãos Limpas foi eficiente somente para prender políticos e empresários daquele período. Também enaltecida pela mídia italiana, a operação devastou a economia do país, que até hoje sofre em recuperação. Como prova de sua ineficiência frente ao sistema, tempos depois assumia o corrupto Silvio Berlusconi, que venceu as eleições praticamente sem concorrentes, já que a grande maioria estava presa, morta ou exilada.
Portanto, deve-se pensar sim na moralização da política brasileira, mas antes de tudo, deve-se questionar o sistema. Se o sistema não muda, apenas os nomes serão trocados. E por mais que o apelo popular seja importante, no Brasil, o alarde midiático é capaz de inflar tanto a população como o ego dos juízes. E isso é inaceitável para os homens da lei. Manter-se distante dos holofotes é uma obrigação moral deixada de lado principalmente pelo juiz Sergio Moro.
E como a operação italiana é a grande referência, é preciso desconfiar se a Lava Jato não quer eliminar um grande número de políticos e deixar outros livres para disputar os próximos pleitos, sem concorrentes.
Voltando à população, dificilmente alguém irá se opor ao fato de políticos corruptos irem para cadeia. Mas é preciso que, antes de tudo, as decisões não sejam seletivas e partidárias. Pelo o que vimos até então, muitas das ações tomadas são extremamente questionáveis. Como exemplos inaceitáveis, temos os áudios indevidamente vazados e a condução coercitiva de Lula.
Outro ponto que para muitos é indiferente é a quantidade de dinheiro que se deixou de arrecadar. O valor devolvido é muito menor do que se deixou de ganhar. Diga-se de passagem, o crescente número de desemprego teve inicio lá atrás, quando praticamente todas as grandes construtoras saíram de cena. Obviamente, isso não deve ser motivo para que se pare qualquer operação investigativa, mas é fundamental que não se pare o Brasil. E como a crise política brasileira vinha intencionalmente afundando a nossa economia, fruto do “quanto pior, melhor”, o exemplo italiano deve ser sempre lembrado. Quem ganha e o que se ganha com a caça às bruxas?
Outro ponto importante são todas as coincidências que a Lava Jato tem com os americanos. A operação teve início cinco meses depois que a embaixadora Liliana Ayalde veio para o Brasil. Destaca-se que Liliana era embaixadora no Paraguai quando Fernando Lugo foi deposto. Outra grande coincidência são as viagens que membros da operação fizeram para os EUA. Soma-se isso tudo aos telegramas trocados entre a embaixada americana e o interino, que tem como braço forte José Serra, o homem que negocia entregar a Petrobras para Chevron. Associar a sede dos americanos por influência e petróleo à operação, não deve ser vista como um mero devaneio.
Repetindo as Mãos Limpas, teria a Lava Jato intenção de abrir caminho para um nome ou grupo político, que seja aliado dos interesses norte-americanos?
A conclusão é que, antes de qualquer coisa, devemos questionar a democracia como um todo, desde a polícia até a política. Iniciar as mudanças na base do sistema é o princípio para a transformação.
Num país, onde um mero vereador não se elege com menos de duzentos mil reais torna-se comum a realização de caixa dois entre outras escusas transações. E disso ai, quase nenhum político se salva. A solução é abrir o debate, buscando soluções cada vez mais justas e democráticas.
Caso contrário, amargaremos uma grave crise econômica, ludibriada por Operações policialescas que tem como entusiastas homens da justiça endeusados pela mídia, com um salário cada vez maior.
Foto(*): missaogospel.com.br

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