Deixa a África brincar

Um garoto joga futebol no campo de refugiados Oyam, em Uganda, em frente a uma cabana abandonada. Foto de E. Denholm, em dezembro de 2007, para a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR/UNHCR)
Um garoto joga futebol no campo de refugiados Oyam, em Uganda, em frente a uma cabana abandonada. Foto de E. Denholm, em dezembro de 2007, para a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR/UNHCR).
No começo desse ano, o jogador profissional de futebol Bjorn Heidenstrom pegou sua bicicleta na Noruega, seu país de origem, rumo à África do Sul. Heidenstrom planeja chegar lá antes das finais da copa do mundo, que será em junho. Já chegou no continente africano e tem arrecadado fundos para os refugiados.
Heidenstrom não está sozinho. Muitos “viajantes humanitários”, como são denominados, se dedicam a causas específicas na África. A iniciativa Play4Africa, baseada na Espanha, embarcou numa longa viagem para promover a sensibilização da população no que diz respeito a problemas como jovens africanos refugiados de guerra ou perseguidos. O objetivo é reforçar o “direito dos jovens a brincar”.
Um comboio do grupo deixou Almeira, no sul da Espanha, no último dia 7 de março, com o objetivo de chegar no dia do jogo de estreia da Copa. Eles devem parar em diversas cidades, levando futebol e ajuda humanitária para comunidades pobres. Sudão, Ruanda e Quênia, com milhares de jovens fãs do esporte mais popular do mundo, são alguns dos países que serão visitados.
UGANDA ACUSA SUDÃO DE ABRIGAR CRIMINOSOS DE GUERRA

Por conta dos conflitos em Darfur, famílias foram deslocadas para Shangel Tubaya, no Sudão, em busca de abrigo e mantimentos. UN Photo/Albert Gonzalez Farran

Uganda acusou essa semana o Sudão de apoiar a resistência contra o país, por meio do apoio a Joseph Kony, líder do grupo Exército de Resistência do Senhor [Lord’s Resistance Army, ou LRA]. O grupo estaria se movimentando nas florestas ao sul do Sudão, na República Democrática do Congo (RDC) e na República Centro-Africana. Kony é procurado por crimes de guerra.
Yoweri Museveni, presidente de Uganda, se pronunciou sobre o caso. “Se os sudaneses querem acomodá-lo em Darfur, não faz nenhuma diferença, pois eles o apoiaram muito mais no passado”, protestou.
Forças congolesas das Nações Unidas conseguiram desestabilizar a LRA e desarmar alguns membros do grupo, que é acusado de sequestrar crianças e usá-las como soldados e escravos sexuais. No entanto, os rebeldes continuam a realizar ataques a civis na região nordeste da RDC, na República Centro-Africana e nas regiões de fronteira do sul do Sudão. (Com informações de www.savedarfur.org. Imagem: UN Photo/Albert Gonzalez Farran)
INCENTIVO À EDUCAÇÃO BÁSICA NA REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) está promovendo uma campanha para garantir que 145 mil crianças na República Centro-Africana afetadas pelo conflito no país tenham acesso a livros de literatura, matemática e ciência.
Com fundos do governo belga, a agência da ONU conseguiu fornecer até o momento 60 mil livros de matemática, 60 mil de francês (língua oficial, juntamente com o sangho, que também usa muitas palavras em francês) e 2.400 guias para professores para o Ministério da Educação local.
Nos últimos anos, o país tem sofrido com conflitos esporádicos entre forças do governo e rebeldes, bem como reflexos da violência em países próximos, com centenas de milhares de pessoas deslocadas.
Segundo a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), a população possui pouco acesso ao sistema educacional, chegando em 2008 a apenas 56% da população masculina e 49% da feminina. Além disso, a taxa de abandono é alta (54%), especialmente entre as mulheres.
A OCHA indica que o número insuficiente de livros é prejudicial à qualidade do aprendizado: há dois livros para cada 9 estudantes. A entidade informou ainda que o projeto atende diversas prefeituras dentro de áreas de conflitos armados.
FUTURO DAS CIDADES
Cerca de 3,3 bilhões de pessoas vivem em cidades em todo o mundo. O número representa 51% da população global e a tendência é subir. De acordo com o Programa Populacional das Nações Unidas, em 50 anos, os centros urbanos vão abrigar dois terços da população.
No início de março, Curitiba sediou a Conferência Internacional das Cidades Inovadoras – CICI2010, que discutiu o futuro das cidades e como transformá-las em ambientes propícios ao desenvolvimento econômico, social e ambiental. Saiba mais em www.portalodm.com.br
EVENTO NA PUC RIO DISCUTE REFORMA NA ONU
Diplomatas brasileiros, franceses e britânicos se reúnem na PUC Rio para discutir o papel do Brasil na reforma das Nações Unidas. O seminário internacional “Por que a Reforma da ONU está paralisada?” é promovido pelo Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (IRI/PUC-Rio), com o apoio das Embaixadas do Reino Unido e da França e do Centro de Informação das Nações Unidas (UNIC-Rio), no dia 18 de março, às 17h30.
Diplomatas e acadêmicos brasileiros, britânicos e franceses tentarão responder a questões relativas à dificuldade encontrada pela comunidade internacional em reformular e revitalizar seu principal organismo de representação multilateral, e como o Brasil pode agir para impulsionar este ambicioso projeto – reafirmando a crescente importância do país em discussões de âmbito global.
O debate será realizado no auditório do Rio Datacentro e terá a participação de Alain Dejammet e Lord David Hannay, ex-representantes permanentes de seus países nas Nações Unidas. Os embaixadores Gelson Fonseca, que também já esteve à frente da Missão do Brasil na ONU, e Marcel Biato, integrante da assessoria especial de Política Externa da Presidência da República, apresentarão a posição oficial brasileira. A mesa terá ainda a participação do professor Paulo Esteves (IRI/PUC-Rio). O encontro será mediado pela professora doutora Mônica Herz (IRI/PUC-Rio).
O encontro é aberto a estudantes e jornalistas, e terá transmissão ao vivo por videoconferência para outras universidades em diferentes regiões do país, permitindo que alunos e professores da UFRGS, USP, UNB e PUC-SP e PUC Minas também participem. O evento contará ainda com transmissão simultânea pela internet nos seguintes endereços: Portal PUC Rio Digital (http://puc-riodigital.com.puc-rio.br/) e UKinBrazil (http://ukinbrazil.fco.gov.uk/undebate).

Um comentário sobre “Deixa a África brincar”

  1. Há mais de mil anos eu ouço esta história de gente que vai prá Africa pra ajudar as crianças, as mulheres, os refugiados, … enfim, ajudar a “pobre” Africa.
    Isso pra mim soa como uma piada de péssimo gosto,alias, um deboche ao povo e ao continente originário de toda a humanidade. Um povo forte, inteligente e capaz e um continente riquíssimo, que mesmo superexplorado pelas naçoes imperialistas saqueadoras, continua riquíssimo.
    Penso que o que tem que ser dito é a realidade: a Africa nao precisa da despresivel piedade de ninguem, precisa expulsar os saqueadores imperialistas, principalmente EUA, Inglaterra e França e conquistar sua soberania.
    Ë preciso fazer como na AL, fazer uma dúzia de FSM’s por lá e conscientizar aquele povo alienado. O movimento de soberania e uniao da AL começou pra valer com a realizaçao do FSM’s e a Africa precisa disto urgentemente.
    Quanto à ONU, hoje em dia é escancaradamente um orgao ‘pau-mandado’ do império capitalista decadente dos EUA.
    Precisamos criar uma nova ONU, que represente de fato a todos os povos soberanos.
    Saudaçoes socialistas!

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