
Por ocasião do VII Festival Internacional do Folclore e Artes do Cariri [1]
Texto de Ivandro da Costa Sales
Cultura é o modo de sentir, pensar, querer, agir, lutar, amar, se expressar. É tudo o que é aprendido durante a vida. Tem, portanto, uma dimensão intelectual e dimensões afetivas, sentimentais, espirituais.
A cultura pode ser superficial ou profunda. Tem cultura superficial quem, sem nenhuma reflexão, se instala no que se vive no dia a dia nas famílias, nas religiões de cura e de enriquecimento material, no consumo, sem reflexão, de tantas mensagens das redes sociais. Tem também cultura superficial quem não debate os problemas sociais e políticos da cidade, do país e do mundo. A cultura neste caso é um senso comum, pobre, superficial, incoerente, raso, abestalhado. Parece que assim está a nossa cultura. Não se conversa, não se debate, as pessoas pouco se visitam e é grande a apatia política. As pessoas, em geral, se tornaram superficiais e incoerentes.
Tem cultura profunda quem reflete, debate, tem argumentos e faz tentativas de coerência na atuação.
Cultura não é para ser preservada. É para ser permanentemente aprofundada e apurada.
A cultura é profunda quando tem reflexão, debates, argumentos e tentativas de coerência na atuação.
A arte faz parte da cultura. É um modo supostamente bonito e divertido de expressar a natureza e a vida. E pode ser um meio muito eficiente de ajudar as pessoas a se tornarem mais sábias, mais coerentes, mais fortes, e até mais bonitas, desde que problematize a realidade que a literatura, o teatro, a dança, a pintura e todas as linguagens artísticas estejam apresentando.
Entretanto a arte pode também ser um meio de imbecilizar as pessoas, quando apenas repete, sem nenhum questionamento, a realidade que está apresentando. Imbeciliza igualmente quando se tenta, pela arte, impor uma ideologia de salvação ilusória e que camufla a realidade da exploração e dominação. Lembremo-nos da Alemanha nazista, da antiga União Soviética e da ditadura instalada em 1965 no Brasil.
Num tempo de grande crise da Grécia Antiga, o filósofo Nietzsche diz que a vida salvou a Grécia utilizando a arte inquietante como instrumento de luta.
Viva o trabalho de aprofundamento das culturas.
[1] Sítio Mãe Liquinha. Taperoá- PB. 26 de outubro de 2025.
Texto compartilhado por Alder Júlio Ferreira Calado
