Desiree Luíse (SP), da Radioagência NP
Muros de concreto estão sendo construídos na cidade do Rio de Janeiro (RJ) para cercar onze favelas da zona sul da capital. A atitude do governo estadual está gerando polêmica. Os muros foram questionados pela Organização das Nações Unidas (ONU), que cobrou explicações do governo brasileiro durante o Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da organização.
Além disso, o ministro brasileiro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, também criticou a construção dos muros.
O governo do Rio de Janeiro informou que o projeto será mantido. O objetivo é impedir que as favelas avancem sobre a mata e, assim, preservar o meio ambiente.
Um dos peritos do Comitê da ONU, o colombiano Alvaro Tirado Mejia, declarou que o muro, ao conter a população de baixa renda, gera uma “discriminação geográfica”.
O colaborador da Federação de Favelas do Rio de Janeiro, Ernesto Serra, concordou: “Primeiro que todo o muro, de alguma forma, é um acinte ao direito de ir e vir. É o caso do muro dos Estados Unidos de separação com o México, o muro da Palestina, o muro de Berlim da década de 60. A tentativa de construir o muro [no Rio] é uma justificativa para isolar a favela de uma forma física principalmente. Então, não há uma política habitacional.”
O projeto, que vai consumir R$ 40 milhões, prevê a construção de muros de concreto de três metros de altura, com extensão total de 14 quilômetros.
