Conexão Rio-Brasília

1) Encontro Anderson Lopes Miranda, que viveu em situação de rua durante 15 anos. Hoje ele é coordenador do Movimento Nacional da População de Rua, que comemorou o lançamento, quarta-feira (10), em Brasília, do comitê intersotorial que vai acompanhar as políticas pública para este segmento da população. Pergunto a ele quais as maiores dificuldades que ele tinha quando estava sem-teto: “Porrada da polícia e cusparada das pessoas”. O comitê é composto por representantes de nove ministérios e nove integrantes da sociedade civil; será pautado, em primeiro lugar, pelo respeito à dignidade da pessoa humana. Entre suas atribuições estão a implementação de ações de segurança alimentar, habitação, saúde e educação, entre outras.
2) O governador do nosso Rio de Janeiro chorou por conta do novo modelo de exploração de gás e petróleo aprovado na Câmara dos Deputados. Um absurdo fazer isso com 15 milhões de pessoas, disse. Aspas para o governador: “O Estado do Rio recebe de royalties e participações especiais mais de R$ 5 bilhões; passa a ganhar R$ 100 milhões. Acaba todo o dinheiro da previdência pública. Como a Câmara me aprova uma loucura dessas? Esquece Olimpíada, esquece Copa, esquece tudo! Acabou o Estado! Acabou!”. Quando vivi em La Paz, correspondendo a revista Caros Amigos, pude acompanhar esse mesmo debate sobre a partilha dos royalties. Estados produtores queriam mais recursos, o governo federal queria reparti-lo para impulsionar o desenvolvimento das regiões mais atrasadas. Um debate saudável, ao contrário de muitos outros que testemunhei por lá. Nada como as ameaças terroristas que escorreram das lágrimas do governador. Por que tem que cortar na previdência? Como assim a sobrevivência de um Estado depende de royalties – que, ademais, são sempre passíveis de secar? Será que o governador já chorou pelo estado da saúde, da educação ou da segurança pública? Milhares estão sendo mortos por negligência ou incompetência administrativa do seu governo, sem que isto tenha merecido uma lágrima sequer.
3) Quanto ao debate sobre Cuba – que andava sumida dos noticiários, diga-se – recomendo a leitura do artigo de Emir Sader, na Carta Maior.
4) E sobre Luís Nassif e as corporações de mídia, além da entrevista recém-publicada aqui no FM, recomendo a nota de Leandro Fortes, reproduzida no Vi o Mundo: www.viomundo.com.br/voce-escreve/leandro-fortes-frias-retaliacoes

2 comentários sobre “Conexão Rio-Brasília”

  1. O que fazer
    Sabe-se da incapacidade dos comunicadores oficiais. Como vivem cercados de outros governistas, jamais sentem a ameaça. Pensam com o umbigo.
    Raramente respondem à injúria, à difamação e à calúnia. Quando o fazem, são lentos, pouco enfáticos e frequentemente confusos.
    Por conta dessa realidade, faz-se necessário que cada mente honesta e articulada ofereça sua contribuição à defesa da democracia e da verdade.
    São cinco as tarefas imediatas…
    1) Cada cidadão deve estabelecer uma rede com um mínimo de 50 contatos e, por meio deles, distribuir as versões limpas dos fatos. Nesse grupo, não adianda incluir outros engajados. É preciso que essas mensagens sejam enviadas à Tia Gertrudes, ao dentista, ao dono da padaria, à cabeleireira, ao amigo peladeiro de fim de semana. Não o entupa de informação. Envie apenas o básico, de vez em quando, contextualizando os fatos.
    2) Escreva diariamente nos espaços midiáticos públicos. É o caso das áreas de comentários da Folha, do Estadão, de O Globo e de Veja. Faça isso diariamente. Não precisa escrever muito. Seja claro, destaque o essencial da calúnia e da distorção. Proceda da mesma maneira nas comunidades virtuais, como Facebook e Orkut. Mas não adianta postar somente nas comunidades de política. Faça isso, sem alarde e fanatismo, nas comunidades de artes, comportamento, futebol, etc. Tome cuidado para não desagradar os outros participantes com seu proselitismo. Seja elegante e sutil.
    3) Converse com as pessoas sobre a deturpação midiática. No ponto de ônibus, na padaria, na banca de jornal. Parta sempre de uma concordância com o interlocutor, validando suas queixas e motivos, para em seguida apresentar a outra versão dos fatos.
    4) Em caso de matérias com graves deturpações, escreva diretamente para a redação do veículo, especialmente para o ombudsman e ouvidores. Repasse aos amigos sua bronca.
    5) Se você escreve, um pouquinho que seja, crie um blog. É mais fácil do que você pensa. Cole lá as informações limpas colhidas em bons sites, como aqueles de Azenha, PHA, Grupo Beatrice, entre outros. Mesmo que pouca gente o leia, vai fazer volume nas indicações dos motores de busca, como o Google. Monte agora o seu.
    A guerra começou. Não seja um desertor.,,,
    Blog ESQUERDEOPATA

  2. Palavras como “verdade” e “limpeza” me preocupam… mais ainda as receitas para se chegar ao “paraíso”… o que dizer então do engajamento moralista moderninho?
    Mas o que mais me fez rir, foi o chororô do governador.
    Eu já desconfiava que tanto ele como o prefeito são tipos muito “adolescentes” fazendo política. São irresponsáveis, inconseqüentes e covardes. O cinismo não é temperado na ironia. é um cinismo boboca e infantil. O Rio de Janeiro está vazio de sentido. Não é só incompetência, é mediocridade.
    “lideranças” que não entusiasmam nada. E são novinhos conservadores com carinha de bebê. Mas não é só aparência, é conteúdo também. São filhos da vacilação…
    E que contraste com o artigo que escreveu o Emir Sader…
    Como disse uma reportagem do Marcelo Salles com Vera Malagute Batista: “o que fizeram de ti Rio de Janeiro… (?)”
    Tanta potencialidade política e cultural, e nada.
    Tenho conhecido pessoas que estão se sentindo envergonhadas com o tipo de imagem que insistem colar no Rio de Janeiro. O modelo Nova yorque, Miame… Essa síndrome de vira-lata…
    é uma subserviência arrogante sem espírito federativo nem solidariedade com regiões historicamente excluídas do desenvolvimento econômico e social brasileiro.
    É deprimente.

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