Comentário: Um grampo com áudio, please. Só um

Por Luiz Carlos Azenha, do blog Vi O Mundo

Se, de fato, for o esquemão que imaginamos, está funcionando de novo: Veja faz uma acusação ao delegado Protógenes Queiroz baseada em supostas provas encontradas naquela ação da Polícia Federal contra o delegado, em que foram feitas apreensões de computadores e pen drives.

As informações são imediatamente “repercutidas” pelos jornalões. A manchete principal da Folha Online: “CPI dos Grampos deve apurar denúncia contra Protógenes”.

A CPI, que ia acabar sem indiciamento do delegado, repentinamente ganha nova vida. Quem é que vai se reunir para decidir o futuro dela? Michel Temer, Marcelo Itagiba e Raul Jungmann.

Ouvido pelo Estadão, Fernando Henrique Cardoso diz: “É o escutador-geral da República”. E dá apoio a Gilmar Mendes, lamentando o horror em que se converteu a bisbilhotagem generalizada. O tal “estado policial”.

E afirma:

Para FHC, Protógenes é uma pessoa com equilíbrio precário, porque “só o fato de estar ouvindo todo mundo sem ter razão para isso já o desqualifica”.

O mais curioso é que a reportagem de Veja diz que Protógenes teria investigado “a vida amorosa” de Dilma Rousseff. A ministra disse não acreditar que tenha sido espionada.

Na minha opinião, foi uma mensagem dos tucanos para a provável candidata petista. Da mesma forma que aquele jornalista, em nome de José Serra, escreveu: “Pó pará, governador”, numa alusão a Aécio Neves.

O delegado Protógenes nega que tenha feito o que a Veja diz que ele fez. Se ele de fato investigou tanta gente, eu gostaria de ouvir ao menos um grampo com áudio. Só um.

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