Vemos pessoas educadas, lidas e instruídas, tentando combater o bolsonazismo, descrevendo a falta de condições morais, profissionais, humanas, do Bolsão. Isto pode funcionar ao contrário, como uma espécie de propaganda do aspirante a novo Hitler.
A nossa impressão é de que a ignorância da história e da realidade que os bolsonazistas e as bolsonazistas exibem, corre em paralelo com um desarranjo mental (não achamos palavra melhor, fica essa) e emocional que deveriam nos preocupar mais.
Referimo-nos ao fato destas pessoas simplesmente repetirem o que lhes puseram na cabeça, sem qualquer reflexão ou crítica. Preconceitos, ódio, não se combatem com razões.
São de natureza irracional, e devem ser combatidas com emoções compreendidas, ou compreensão das emoções. Ou seja, tentando nomear o que se move por debaixo do ódio.
O que é que movimenta estas pessoas que defendem a candidatura presidencial de um elemento sem qualidades, que mais parece o retrato do avesso de tudo que é bom, justo e correto?
Acreditamos que deveríamos tentar nos aproximar desta gente, pelo lado humano. Tentando uma escuta que nos traga a pessoa que está aí. Não é trabalho fácil.
O que está aí é uma massa confusa e difusa, contraditória, em que se misturam desrazões plantadas pela mídia a serviço da oligarquia e da exclusão social, com impressões não menos contraditórias de quem tem medo dos demais, medo dos diferentes, medo.
Lembram da canção do Belchior? Medo. Como se combate o medo? Com amor. Com confiança. Estas pessoas que foram mobilizadas para legitimar a queda do regime democrático, querem “um homem forte,” uma ditadura, sem saber o que estão dizendo.
Não sabem o que é uma ditadura. Podemos tentar conversar, por mais difícil que seja. Não para convencer, mas para tentar tocar o ser humano que está aí, acuado.
Será que alguma vez já estivemos nesse lugar? O que foi que fizemos para sair? Como se sai de uma condição em que sentimos que tudo é ameaçador?

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