
A última aparição de Lula, mais uma vez, fez a internet transbordar de impropérios. É a turma que mesmo após a queda do PT, persiste em despejar ódio, execrando a sigla, seu líder, sem levar em conta os benefícios extraídos do seu programa de governo.
Falo de tudo isso para chegar à polêmica criada entre o ex-presidente e os funcionários públicos.
Essa geração de estudiosos, que luta por estabilidade financeira e uma carga horária de trabalho equilibrada, jamais se deu conta que nos governos Lula e Dilma o número de concursos públicos subiu em 355%, em relação ao governo anterior. Além de ampliar e democratizar oportunidades, foi feito antagonismo à política do PSDB (aliado do governo Temer), que lidera nas contratações sem concursos públicos. Ou seja, a política do Q.I (quem indique).
O segmento do judiciário, deslumbrado com a estabilidade e com os salários rechonchudos, ecoa o discurso que defende o Estado mínimo, a terceirização, 12 horas de trabalho e outras devastações mais sobre a CLT.
Com a sensação ilusória de que pertencem à elite socioeconômica, ampliam seu lastro de verdades, reproduzindo clichês que abominam programas sociais de educação, inclusão e direcionam, exclusivamente ao PT, a corrupção.
O mesmo vale para alguns Procuradores, envaidecidos pela projeção midiática em torno da Lava-Jato, que acusam o ex-presidente apenas por convicção. Ao manterem a insana e imoral perseguição à Lula, deixam de lado provas e acusações sobre os demais caciques de outros partidos, comprovando que o compromisso da Lava Jato é simplesmente tirar Lula do cenário político e extirpar um projeto democrático de soberania nacional.
Os algozes de Luiz Inácio apropriam-se de falhas endêmicas do sistema, a fim de direcionar e justificar a perseguição. Na falta de provas concretas, fundamentam a acusação, utilizando-se de um discurso político partidário, que aponta Lula como o “comandante máximo” de um projeto corrupto, onde ele teria se beneficiado de 3,7 milhões, por meio da reserva e reformas de um triplex no Guarujá. Enquanto isso, José Serra, ministro das relações é acusado de ter recebido 23 milhões de reais de caixa 2 e Aécio Neves, delatado sete vezes, não são incomodados. A seletividade, pirotecnia em torno da investigação e a notória incompatibilidade dos termos da acusação com os valores anunciados demonstram a fragilidade do processo. Além disso, a incriminação sem provas é inaceitável para a função que lhes compete.
Tudo isso demonstra que a base desse processo alimenta-se da pregação odiosa e a repulsa que se têm sobre o sujeito com os trejeitos populares.
Engana-se quem pensa que toda essa covardia tem o objetivo de mudar o sistema político brasileiro. Ela é apenas a conclusão de um projeto que quer inviabilizar um governo popular e progressista e para isso depende dessa nova casta de jovens poderosos, ludibriados com os holofotes, que ignora os estorvos socieconômicos criados e a democracia.
Foto(*): diariocentrodomundo.com.br
