Coerência

wordsTem coisas que a gente vai aprendendo com o tempo, e há uma hora em que é necessário dizer claramente o que se pensa. Tenho ido clareando para mim mesmo vários assuntos, que gostaria de explicitar aqui. Não com a pretensão de convencer ninguém de nada, mas apenas por uma necessidade oriunda da minha fé na palavra, a minha crença no poder construtivo da ação baseada na palavra que é vida, a palavra que é ou pode ser cada um de nós.
Desde cedo na minha vida acadêmica ou universitária, no entanto, percebi que existe um grande número de pessoas para as quais a palavra vale pouco ou quase nada. Tudo depende do que se ganha quando se diz. Então fala-se para bajular, para obter favores, para conseguir algum cargo ou posição.
Há ainda um outro grupo, integrado por intelectuais ditos de esquerda, ou progressistas (as denominações vão mudando, os comportamentos nem tanto), que vivem atirando pedras no governo, no “sistema capitalista” (do qual se imaginam fora, não se sabe bem por que, já que reproduzem sua lógica utilitarista e mercantilista), na violência policial, etc, mas tudo isto pouco ou nada tem a ver com a sua prática cotidiana.
Tal vez isto ocorra porque o intelectual começa e termina em si mesmo, o seu mundo é de ideias, é de pensamentos, não de ação. No meu trânsito pelo mundo acadêmico encontrei poucas mas valiosíssimas exceções a estes tipos de usuários da palavra que se afastam do que para mim é o correto (ser palavra). O que quero enfatizar aqui e agora, é que no ponto da minha trajetória existencial em que me encontro, a vida vai encontrando uma coesão e uma integridade muito além das minhas expectativas.
Não somente consegui fazer uma sociologia a serviço da libertação da pessoa humana, e isto nunca poderia ser feito individualmente, mas, sim, coletiva, comunitariamente, mas, cada vez mais, há menos distinção entre o que sou e o que escrevo e faço. Cada vez mais a palavra que sou é essa palavra coletiva, horizontal e circular, que é pronunciada nos encontros da Terapia Comunitária Integrativa, inspirada na pedagogia de Paulo Freire. Essa palavra libertadora, dita a muitas vozes, começa a ser pronunciada na Argentina, o pais onde nasci e aonde os tempos da recuperação da pessoa humana estão me trazendo cada vez mais.

Deixe uma resposta