Cinco dias na cola do Interino

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Apenas cinco dias depois do golpe de Estado, algumas tragédias, previamente anunciadas pelos que conhecem a direita brasileira, demonstram a cara do desgoverno Temer.
Os mais chegados à história do Brasil, há tempos já alertavam sobre os riscos. Para as novas gerações, que não conheciam o Brasil antes de Lula ou aqueles que não possuem memória, as medidas são um bom começo para entender o passado, cada vez mais presente na vida dos brasileiros.
Segue o show de horrores:
1 – Nenhuma mulher, negro, negra ou representante de minorias no desgoverno. Em um país ainda tão desigual, repleto de misoginia, racismo e preconceitos, a falta de representantes nos Ministérios demonstra a falta de preocupação e sensibilidade com a causa. Ter representantes é o início da luta pelo fim das diferenças e pelo empoderamento dos que sofrem com os atrasos.
2- Sete ministros na Lava Jato. Se a luta nas ruas, pela queda do PT, tinha como lema o fim da corrupção, começar assim é a prova de que tudo não passava de uma grande farsa. Tudo bem óbvio, mas tinha gente que dizia acreditar que o Brasil sem Dilma seria o começo de um país sem corrupção.
3- Reforma na Previdência para os que ainda não se aposentaram ou estão para se aposentar. A idade mínima deverá ser fixada em 65 anos. O tempo mínimo de contribuição deve ficar entre 40 e 43 anos. Uma “boa nova” para os pobres, que começam a trabalhar bem antes do ideal. Não questione a previdência, trabalhe.
4- Fim do Ministério da Cultura e exoneração de Ricardo Melo, da empresa Brasil de Comunicação (EBC), que tinha contrato até 2020. Destaca-se que a EBC era uma das poucas emissoras comprometidas com a formação e com a boa informação. A inserção da Cultura na sociedade, sem dúvidas, é a maior fonte catalizadora de mudanças positivas para uma sociedade. Conhecer a história, pensar e questionar-se são os princípios da mudança. Mas a ideia principal, ao que tudo indica, é a ausência do questionamento e do pensamento. Trabalhe, trabalhe…
5- Fim da CGU (Controladoria Geral da União), órgão do Governo Federal responsável por assistir direta e imediatamente o Presidente da República quanto aos assuntos que, no âmbito do Poder Executivo federal, sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão, por meio das atividades de controle interno, auditoria pública, correição, prevenção e combate à corrupção e ouvidoria.
Para que investigar e controlar essa gente que veio para acabar com a corrupção, não é mesmo?
Bacana mesmo foi ver a foto dos membros do órgão pedindo a cabeça de Dilma, tempos atrás.
6- Sinalização feita por José Serra para que se fechem embaixadas na África e América Central. Negociar e ampliar o leque de relações com essa gente era coisa do Lula. Essa turma de agora, fina e elegante, prefere estreitar negócios com os EUA e a elite europeia.
7- Empossado como Ministro Interino da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR). Aquele que em 2014 teve como maior doador individual para sua campanha o empresário Elon Gomes de Almeida, sócio do grupo Aliança, administradora de benefícios de saúde. Quanta coincidência.
8 – O mesmo ministro da saúde prometeu diminuir o tamanho do SUS. Supérfluo. Tem que cortar!
9- Universidades Públicas pagas é o projeto do novo Ministro da Educação, o deputado licenciado Mendonça Filho (DEM-PE). Para os que não sabem, o modelo previsto é o modelo americano. Vale lembrar que a segunda maior dívida americana é dívida pública dos estudantes com a educação.
10 – 11.250 unidades do Minha Casa Minha Vida barradas pelo interino Ministro das Cidades, Bruno Araújo (indicação do PSDB). O artigo 6 da Constituição Federal de 1988 prevê a moradia como um direito social. Como o golpe estrangulou a Constituição, a solução é pular esta parte.
11- Mudança na atribuição das demarcações de terras quilombolas, que saiu do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e passou ao novo MEC, o Ministério da Educação e Cultura. Uma mudança que prejudicará terras quilombolas. Se já foi excluída tanta coisa e tanta gente, essa gente que quase não tem voz, não faz diferença.
12- Foi anunciado, dias atrás, a possibilidade da esposa do interino assumir toda a área social. Bobagem quem irá pensar em nepotismo. A grande verdade é que, como numa monarquia, a rainha cuidará dos mais necessitados.
13- Possível mudança no método adotado pelo PT, na escolha do Procurador-Geral da República. A constituição prevê que o Presidente da República faça a escolha. De forma republicana, nos governos Lula-Dilma, o procurador passou a ser escolhido através de uma eleição interna, do Ministério Público. Segundo o novo Ministro da Justiça, esse método deve ser revisto.
14- Renomeado como Ministério da Justiça e Cidadania, a pasta acoplou as secretarias das mulheres, igualdade racial e direitos humanos. Se de cara o feito já é ruim, a situação piora quando é escolhido para assumir o cargo, o reacionário Alexandre de Morais. O ministro interino, que até então atuava no Governo Alckimin, na secretaria de Segurança Pública foi o mesmo que não viu excessos na atuação da Polícia Militar diante dos estudantes em São Paulo. Foi também ele que qualificou as manifestações contra o impeachment como “criminosas” e “atos de guerrilha”.
Aos que não conheciam ou só ouviam falar, esta é a direita brasileira. Organizada, transparente, bonitinha e cheirosa.
Em breve, mais notícias do desgoverno Temer. O interino que tem a cara do Brasil, do século XIX.
Foto(*): acreaovivo.com.br

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