
Ser governo no Brasil e em nenhum lugar do mundo é uma tarefa fácil. Se antes de se sentar na cadeira presidencial o discurso é sempre repleto de ideias puras, ao chegar à presidência, é comum deparar-se com a necessidade de ser pragmático, rendendo-se a negociatas.
Apesar das insatisfações e da falta de compreensão de grande parte da população, o que precisa se entender é que numa democracia, onde são necessários votos para aprovação de projetos, distribuir cargos e ministérios acaba sendo o recurso mais comum para acalmar chantagistas. Trágico e lamentável, mas é assim que funciona.
Parte dessa dificuldade é gerada pelo próprio eleitor, que muitas das vezes não tem conhecimento de como funciona o processo político-eleitoral.
As escolhas de voto, nas últimas eleições do Rio, mostram claramente as incongruências dos eleitores: Freixo/ Bolsonaro/ Romário /Aécio foram às escolhas de grande parte do eleitorado carioca.
Uma demonstração de como é comum o sujeito votar em parlamentares de ideologias antagônicas ao escolhido para o executivo. As consequências são essas que vemos atualmente: governo engessado para pôr em prática seus projetos, refém de oportunistas.
Outro ponto importante é a imposição que o mercado faz aos governos. Caso que exemplifica bem é o de Alexis Tsipras, na Grécia, tempos atrás. Mesmo tendo a população maciçamente favorável aos seus projetos, ao deparar-se com a barreira imposta pelo capital, inicialmente recuou.
Atualmente, no Brasil, vivemos um momento único: completamos 4 dias de governo sem a aliança com PMDB. Um fato histórico, mas que pelas circunstâncias e regras democráticas, nos coloca próximo da degola. O poder do PMDB, na Câmara e no Senado é imenso. São inúmeros parlamentares, que contam com total apoio de grandes empresas e do capital.
Mesmo optando por repactuar com partidos nanicos, de ideologia distinta, acredito em novos rumos. A reconstrução do governo deve priorizar os interesses de quem o elegeu.
A começar pela abertura de diálogo com a sociedade civil que esta nas ruas. Ouvir e expor todas as reivindicações seriam uma grande arma para pressionar os parlamentares.
Além disso, amparar-se na voz das ruas, diminuiria a pressão que o governo sofre por parte dos chantagistas, que buscam apenas vantagens e benefícios próprios em troca de apoio.
Conta-se também com uma maior exposição dos fatos, advindos da internet. Tudo isso tem deixado coronéis e achacadores da República nus diante do mundo. Até mesmo o judiciário parece constrangido com tantas vilanias praticadas. Se antes muitos deles se omitiam de enfrentar o banditismo, atualmente precisam se mexer para não ficarem com a imagem manchada na história. Caso contrário, a nossa Corte estaria também desmoralizada mundialmente.
Será preciso audácia, coragem e uma mudança na conduta centralizadora da Presidenta. Sua nova equipe deve ter total autonomia para trabalhar e fortalecer laços com os movimentos sociais e sindicatos, que mesmo tendo sido desprestigiados nos últimos tempos, demonstram lealdade e paciência.
Ai sim, teremos grandes possibilidades de se fazer o que nunca foi feito: um governo de esquerda, compromissado e protegido pelo povo, que se imponha e não ceda para os chantagistas de sempre.
(*)Foto: agenciabrasil.com.br
