Chavistas prometem encher sete avenidas no encerramento da campanha (notas)

Chávez comanda nesta quinta, dia 4, a sua “maré vermelha” pelas ruas de Caracas (Foto: AVN – Agência Venezuelana de Notícias)

De Caracas (Venezuela) – Depois do sucesso do principal opositor – Henrique Capriles, governador do estado de Miranda -, que no domingo, dia 30, encheu (e transbordou) a Avenida Bolívar, o presidente Hugo Chávez promete inundar nesta quinta-feira, dia 4, com sua “maré vermelha”, não apenas a Bolívar, mas sete avenidas da capital venezuelana (veja mapa abaixo). Será o encerramento da campanha eleitoral, a três dias da votação (Capriles fecha sua campanha em Barquisimeto, capital do estado de Lara, ocidente do país).
Aqui se diz “ganhar nas pesquisas e na rua”. Até agora, o presidente-candidato tem ganho nos dois cenários, mas a direita mostrou que também tem poder de mobilização (“poder de convocatoria”, no espanhol), a despeito de acusações de artimanhas (das duas partes, aliás). Mas falta pouco: no domingo, dia 7, falarão as urnas, como se dizia no tempo do papel.

É uma área imensa, pegando o miolo da cidade e se estendendo mais: avenidas Baralt, Urdaneta, Forças Armadas, Universidade, México, Bolívar e Lecuna (Foto: AVN)

Votar e ficar na rua, em alerta
Esta é a convocação do comando de campanha de Chávez aos seus seguidores: “Não baixar a guarda”, porque o inimigo – as velhas oligarquias e o império, com seu dinheiro, seu pesado esquema midiático e os planos de desestabilização – não dorme nunca, alertam todo dia os líderes chavistas e o próprio comandante-em-chefe. Ganhar eleitoralmente não basta, é preciso garantir a vitória com o povo nas ruas. O chamado Plano República já foi acionado, tendo na cabeça a Força Armada Nacional Bolivariana. A validade dos portes de armas de fogo está suspensa.
Dizer que o clima é de grande expectativa é dizer pouco. Na verdade, a maioria parece esperar “alguma coisa” muito grave, atos de violência, ameaça de caos, “revolução”. “Alguma coisa” pode acontecer e a providência mais visível entre a classe média é lotar os supermercados e armazenar alimentos em casa. Desde o início da semana muitos produtos começaram a ter a venda racionada.
É uma eleição em tempos de revolução.  A confrontação é intensa: a burguesia venezuelana e as transnacionais imperialistas não são bestas, sabem que a revolução bolivariana fere realmente seus interesses.

É, disparado, o jornal mais lido do país: “Zero cana por 4 dias” (Foto: Jadson Oliveira)

Lei seca pra lá de rigorosa 
Viram aí a manchete da primeira página do Últimas Notícias da quarta-feira, dia 3? Pois é, esta é uma das medidas anunciadas pelo Plano República. Mas o jornal exagerou um pouco (“Zero cana por 4 dias”, gostei do “caña”): não são exatamente quatro dias, são três: das 6 horas da tarde de sexta até o mesmo horário da segunda-feira. Ontem (quarta) à noite, consultei o dono de um dos bares caraquenhos que frequento: “É pra valer?” Sim, garantiu que estará fechado nos três dias.
A pergunta é pertinente para um baiano de “Salvador de Bahia”, porque lá, na chamada “boa terra”, tal proibição – apenas no dia da votação – é cascata pura. Me lembro um lance relatado por uma funcionária do TRE baiano (Tribunal Regional Eleitoral): em pleno corre-corre no dia da eleição, ela saiu de uma seção eleitoral e foi pegar o carro estacionado logo ali perto, ela e o motorista, para se deslocar a uma outra seção. Teve que pedir licença a um folgado bebedor que tinha botado seu copo de cerveja encima do carro. Veja bem: carro oficial do TRE.
As mulheres venezuelanas no poder 
Muitas mulheres por aqui em cargos de relevância. Muitas ministras no governo de Chávez, por exemplo. Me chamou a atenção porque dois órgãos importantes são comandados por mulheres e, coincidentemente, ambas se chamam Luisa: Supremo Tribunal de Justiça (Luisa Estella Morales) e Ministério Público (o Poder Cidadão – Luisa Ortega Díaz). O Conselho Nacional Eleitoral (CNE – o Poder Eleitoral, equivalente ao nosso TSE) é presidido também por uma mulher, Tibisay Lucena (A Constituição estabelece a existência de mais dois poderes, além dos tradicionais Executivo, Legislativo e Judiciário).
O que falta por aqui, no entanto, é primeira-dama. Chávez, 58 anos, é separado, depois de dois casamentos (tem duas filhas e um filho). E Capriles, 40 anos, seu principal adversário, é solteiro (sem filhos). Andou até prometendo dar uma primeira-dama ao país, caso vença a eleição. Na imprensa de fofoca de celebridades, não têm faltado candidatas.
Câncer ataca mais um presidente sul-americano
Agora foi o da Colômbia, Juan Manuel Santos, 61 anos, na próstata, com 97% de chance de cura. Depois de Hugo Chávez (Venezuela), Dilma Rousseff e Lula (atual e ex do Brasil) e Fernando Lugo (agora ex do Paraguai). Sem contar Fidel Castro (Cuba) e Cristina Kirchner (Argentina), que depois de operada descobriu-se não ser câncer.
Já teve até gente desconfiada de que se tratava de um estranho câncer, talvez “imperialista”, porque só vinha atacando presidente de esquerda. Agora atacou mais à direita, embora Santos, um legítimo descendente da oligarquia colombiana, venha contrariando muito a direita.  Já está rompido com o líder da ultra-direita sul-americana Álvaro Uribe, de quem foi ministro da Defesa e que ajudou a elegê-lo.
E, principalmente, com as negociações de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), pode passar à história como protagonista do fim das terríveis seis décadas de violência e terrorismo (inclusive de Estado) vividas pelo povo colombiano, desde que, em 1948, foi assassinado o líder popular Jorge Gaitán.
(*) Jadson Oliveira é jornalista baiano e vive viajando pelo Brasil, América Latina e Caribe. Atualmente está em Caracas (Venezuela). Mantém o blog Evidentemente (blogdejadson.blogspot.com), onde você encontra mais informações sobre a Venezuela.
 
 

Deixe uma resposta