Terça-feira passada tivemos um encontro aqui em casa, com amigos e amigas da Teologia da Libertação. Afetos de muitos anos. Boas memórias. Uma esperança feita de trabalhos em comunidades. Inclusão social. Recuperação da pessoa humana. Mais além de ideologias, opiniões ou interpretações que dividem, está o que une. A partilha de experiências de superação, ou do mero viver cotidiano. O que fazemos agora? Tocar em frente! Lemos dois cordéis de João Batista da Silva: “Felismina, a heroína” e “A Terapia Comunitária e a recuperação da pessoa humana.” Agora que escrevo estas anotações, me vêm à memória o que vem sendo esta experiência de construção de vínculos solidários. Afeto. Toque. Abraços. Carinho. Esperança em movimento. O Padre José Comblin. Dom Antônio Fragoso. Adalberto Barreto. Um evangelho praticado, não pregado. A presença destas pessoas queridas aqui em casa, deixou-nos um rastro de luz. É a luz que seguimos.
Os tempos mudam, estão sempre a mudar. A semente permanece. Saber quem somos nos fortalece. A vida é mais do que o que parece ou aparece. É também o que permanece, o que sobrevive inclusive até à morte. A poesia resgata justamente essa nossa capacidade de vivermos o reino de Deus aqui e agora. Todo dia é dia de Deus. Aquela eternidade que podemos captar num olhar, num sorriso, num abraço que aquece.
A aceitação de mim mesmo nasce fundamentalmente de saber que tenho um lugar no mundo. E o saber que sou digno de amor e de respeito, vai se tornando mais e mais forte na medida em que vou me vendo parte de uma história. Na verdade, muitas histórias entrelaçadas. Diminui então o medo, ou desaparece. Lembro que fui capaz e continuo a ser capaz, de enfrentar vitoriosamente qualquer circunstância.
Assim, me vejo essencialmente muito parecido a quem me rodeia. Nascem então sentimentos de união.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
