Hoje de manhã fui caminhar pela praia. Fazia tempo que não o fazia. A areia estava quente. Senti um suave prazer quando meu pé tocou a areia quentinha. Isso foi um convite para ir além. Para passar pelo caminho que se abre entre o verde das plantas que cobrem os montes de areia perto da calçada na beira mar, rumo ao mar. O mar estava além. No meio, gente jogando na areia, algumas pessoas deitadas, vendedores indo com sorvetes nos seus carrinhos, meninos e meninas jogando perto dos seus pais e mães.
Do lado direito, pois ia na direção de Cabo Branco, os prédios, alguns já identificados, outros nessa paisagem difusa que apenas nos diz: cidade. No chão, na areia, algumas conchinhas. Pegadas de gente que passara antes. Deixando rastros em várias direções. Do lado do mar, o mar. As ondas, essas linhas brancas em movimento, e a superfície do mar, impressionantes, esse movimento quase hipnótico subindo e descendo num balanço impactante.
Pensamentos, orações, se misturando com as impressões sobre aspectos da minha vida que queria ordenar. O barranco ao longe, mais longe ainda, o farol. Barcos na distância, num balanço quase imóvel. Lembranças de outros passeios, com a minha companheira. Uma certa cobrança de maior decisão, de aproveitamento do tempo. Por que mergulhar ou não mergulhar. Vim pra casa passando pelas barracas que ficam em frente da rua que conduz à avenida onde moro.
As calçadas, ou o que deveriam ser calçadas, espaços de difícil trânsito, tal o deterioro pelo abandono. A obra em construção. O prédio comercial. A árvore de sombra grande que protege do sol nas horas que se aproximam do meiodia. O abrigo para pedestres. O restaurante em frente com o cartaz. A portaria do prédio, e casa.

Sociólogo, Terapeuta Comunitário, escritor. Vários dos meus livros estão disponíveis on line gratuitamente: https://consciencia.net/mis-libros-on-line-meus-livros/
