
O circo estava armado fazia tempos. Enquanto a mídia batia e denunciava com veemência qualquer possibilidade de erro do PT, a justiça, ou melhor, os justiceiros de plantão inflavam-se com tamanha visibilidade e com os votos de salvadores da pátria.
Acreditando numa anomia generalizada, a oposição embarcava na esperança e crença de que com a parceria entre mídia e justiça, os bons ventos soprassem para o lado de lá e, consequentemente o poder caísse mais uma vez em seu colo.
Entusiasmados com todo desenrolar dos últimos dias, Aécio, Alckmin, Marta e companhia esperavam o momento de sair nos braços do povo. Estimularam as massas com vídeos de convocação e palavras de ordem, fingiam-se de santos, imaculados.
O que eles não contavam é que a mesma massa que odiosamente pedia a cabeça de Dilma e do PT, também os escorraçariam. Enquanto Alckmin e Aécio foram afrontados e praticamente enxotados, Marta Suplicy teve de se esconder até o fim do ato.
Seria cómico se não fosse trágico o fato de Jair Bolsonaro ter sido ovacionadíssima. Além dele, o justiceiro Sergio Moro também era uma unanimidade entre os manifestantes.
Outra unanimidade era a falta de ideias e construções políticas. Os críticos eram incapazes de responder com precisão as consequências de uma suposta saída da presidenta. Ou seja, muita irresponsabilidade, imaturidade, desconhecimento histórico e uma natural incapacidade de avaliar e medir as consequências disso tudo.
Mas há de se convir que essa turma não quer ter trabalho. Querem mudança, para ontem, mesmo sem debater temas, causas e consequências. E como a história já nos mostrou, quando a exaltação de ânimos e as críticas vêm com esse perfil, o que vem na sequência é muito pior. E se antes tínhamos o nefasto movimento integralista e sua saudação “anue”, hoje nós temos os meninos Power Rangers, liderados por Kim Kataguri.
E toda essa difusão de ódio e de anti-ideias nos mostra, mais uma vez, que Tom Jobim tinha razão: o Brasil não é para principiantes.
(*)Foto: http://www.einerd.com.br
