Bolsonarismo abriu “caixa de pandora” do ódio no país, diz Maria do Rosário

Deputada Maria do Rosário. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Deputada afirma que combate a esse cenário deixado por Jair Bolsonaro vai além da prisão do ex-presidente.

Matéria de Júlia Motta / Revista Forum, 09/01/2026

O bolsonarismo abriu uma “caixa de pandora” do ódio no Brasil e somente a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não é capaz de solucionar esse problema, afirma a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) em entrevista ao Fórum Onze e Meia desta sexta-feira (9).

A deputada, que tem um histórico de luta em defesa das mulheres, analisa, com base em pesquisas e relatórios sobre violência de gênero, que o movimento bolsonarista incitou o ódio na sociedade contra grupos vulneráveis e que o combate a esse cenário vai além da prisão do ex-presidente.

“O Brasil, que tem uma cultura violenta contra as mulheres, uma cultura de controle sobre o corpo e sobre a morte das mulheres, adoeceu profundamente com o bolsonarismo no ódio contra nós. E eu acho que isso não passou”, afirma a deputada.

“A prisão [de Bolsonaro] não consegue aprisionar o ódio da caixa de pandora que o bolsonarismo abriu contra determinados segmentos, particularmente contra as mulheres brasileiras”, acrescenta Rosário.

A deputada ressalta que a responsabilidade daqueles que incitaram o ódio junto ao bolsonarismo é “maior do que aquilo que foi identificado e responsabilizado no âmbito desse julgamento do golpe”.

A deputada relata que tem se dedicado ao estudo sobre a violência contra as mulheres nos últimos anos e com isso tem percebido que o ódio contra as mulheres e segmentos historicamente vulneráveis continua a fazer vítimas todos os dias no Brasil.

Rosário ainda analisa que a falta de mobilização contra a prisão de Bolsonaro se deve também porque as pessoas perceberam que o ex-presidente só tinha como objetivo incitar o ódio.

Não há nenhuma mobilização real da sociedade por Jair Bolsonaro e Bolsonaro. Simplesmente porque grande parte das pessoas se deram conta que aplaudiam um criminoso, que aplaudiam alguém que só fez incitar o ódio, o negacionismo científico e que sempre tentou exclusivamente o melhor para si e para a sua família.

Extrema direita não convive com a democracia

A deputada também debateu sobre os últimos ataques da extrema direita em manifestações que relembram e condenam os atos golpistas de 8 de Janeiro, que completaram três anos nesta quinta-feira (8). Um dos episódios de violência aconteceu na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde o ex-deputado e suplente de vereador Douglas Garcia agrediu um dos manifestantes. O político estava acompanhado do vereador bolsonarista Rubinho Nunes (União).

Além do ocorrido na USP, a própria deputada foi abordada por um grupo de extrema direita ao chegar no ato na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre (RS). Rosário destaca que esses episódios demonstram que a extrema direita não consegue conviver com a democracia e evidenciam como serão as ações desse grupo durante o ano eleitoral.

“Vão tentar o ano inteiro, mais uma vez, calar a nossa força de mobilização”, diz a deputada. Ela afirma que, diante disso, é preciso denunciar oficialmente os agressores, como ela própria fez ao abrir um Boletim de Ocorrência contra o grupo que a hostilizou.

“Nós não vamos passar o ano inteiro escutando e muito menos trazendo desaforo para casa. Nós não incentivamos nenhuma violência, mas não seremos vítimas da violência bolsonarista e da violência da direita. Não seremos”, afirma a deputada.

Nós vamos usar de todos os instrumentos legais e legítimos para enquadrar todos estes que tomam atitudes violentas, antidemocráticas e, de uma forma muito objetiva, trabalham para impedir o livre exercício político da nossa condição como militantes, participantes do campo da esquerda, do campo popular democrático que apoia o presidente Lula no Brasil.

Confira a entrevista completa da deputada Maria do Rosário 

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