Banho de lua

Por Ana Amelia Guimarães*

Ela esperava a lua cheia para banhar-se nas águas da cachoeira.

Terzia morava num local paradisíaco no campo, onde havia uma pequena cachoeira desabando em águas azuladas.

Tinha os cabelos ondulados, pele clara, algumas sardas, olhos castanhos, um sorriso doce e um corpo delineado.

Seu marido era um homem rude, avesso a elogio e carinho, não notava a beleza da mulher que tinha.

Ela era prendada, cuidava da casa, das plantas, bordava e gostava de escrever histórias. Tinha uma ajudante para os serviços mais pesados.

Transitavam alguns trabalhadores pelo local para cuidar do resto do sítio. Todos percebiam com olhares nos cantos dos olhos a graciosidade de Terzia e chegavam a comentar entre eles. Mas havia um deles, Ozir, que a via com outros sentimentos.

Ele passava pela casa com certa discrição. Às vezes ela estava na varanda sentindo o vento com os cabelos balançando, colocando água nos vasos. Ele dava bom dia e seguia em frente.

Terzia amava a lua cheia. Quando chegava esse dia, ela se cobria com uma túnica transparente azul-claro, pegava uma bacia de prata e caminhava descalça até a cachoeira. Nua, se banhava e mergulhava nas águas azuladas, seu corpo a brilhar ao luar. Ao sair, enchia a bacia de água, colocava sua túnica, voltava para casa e deitava ao lado do marido.

Ozir ficou sabendo pela sua serviçal desse seu encantamento pela lua e aguardou a próxima lua cheia para encontrar-se com ela.

E assim aconteceu. Quando Terzia chegou e se despiu, o viu de costas embaixo das águas da cachoeira. Quis voltar, mas algo mais forte a fez entrar nas águas. Ele a segurou pela mão, a abraçou e as águas caiam sobre seus corpos entrelaçados. Ali ficaram, amaram, saciaram seus desejos sob a luz do luar nas águas azuladas.

Terzia não conseguiu mais voltar para casa. Ozir, deu a ela a felicidade, o prazer, o amor e juntos foram embora para bem longe.

* meliaguima@gmail.com

Foto: Internet / Gerada com IA

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