Ato em defesa de Lula termina com violência policial

cut machucado(São Paulo – 18/2/2016) Mesmo com a suspensão do depoimento do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e de sua esposa Marisa Letícia, manifestantes pró e contra Lula protagonizaram atos de violência em frente ao Fórum Criminal da Barra Funda.
O que até então não tínhamos visto na disputa política ideológica, aconteceu na manhã de ontem, em São Paulo. Tudo começou por volta das 11 horas, quando um manifestante da direita lançou uma pedra que acertou a cabeça de uma militante de esquerda. A partir daí os ânimos começaram a se exaltar.
Depois do primeiro ato de agressão física, outro ponto que fomentou a violência foi a tentativa de inflar o boneco que caracterizava Lula como presidiário. Havia um acordo entre líderes sindicais e a polícia militar para que o boneco de Lula não fosse inflado. Como os membros de esquerda eram muitos superiores aos seus oposicionistas, o acordo era uma tentativa prudente de evitar com que os ânimos se exaltassem e levassem a agressões físicas generalizadas. Mas, por volta de 12 horas membros do grupo revoltados online, contando com a barreira policial e a proteção de grades, iniciaram o enchimento do boneco. Do carro de som, o presidente da CUT RIO, Marcelo Rodrigues, indicava que o trato estava sendo descumprido e pedia para que a PM tomasse providências. Mas a providência tomada foi contrária à esperada. A polícia aumentou o cordão de resistência em proteção ao boneco e aos manifestantes de direita com a chegada do Batalhão de Choque. E, com spray de pimenta, bombas de gás lacrimogênio e cassetete, a PM passou a protagonizar momentos de extrema violência. Foram quatro militantes de esquerda feridos. Um deles, após ser agredido com cassetete no rosto, precisou ser socorrido às pressas. Segundo lideranças Sindicais, a vítima ainda está internada no hospital Santa Casa de Misericórdia, em São Paulo.
Dos órgãos de imprensa que cobriam o ato, o único que teve que se posicionar junto aos militantes de direita, em boa parte do evento, foi a Globo News. Inclusive, durante os momentos mais tensos, o jornalista optou por retirar a canopla que vinha com a logomarca da emissora no microfone.
Durante o ato, os militantes da esquerda questionavam a parcialidade com que as perseguições judiciais têm transcorrido. Além da falta de provas reais contra o ex-presidente, a falta de vigor da Justiça contra parlamentares da oposição, com provas evidentes de corrupção, também motivaram a insatisfação.
Segundo as falas do carro de som, a defesa não é somente de Lula e sim de um projeto de governo inclusivo, que mudou a história do país. Eles cobraram para que a atuação do judiciário seja igual para todos os lados e com ênfase em cima dos que já tem provas concretas de corrupção.
Outro grupo de esquerda, que também participava do ato, criticava a grande mídia, que vêm atuando junto à oposição no processo de criminalização da esquerda e principalmente do PT. O que facilitaria a volta dos tempos em que uma elite política, sem compromisso com o país e com o povo, volte ao comando sem incômodos maiores.
No lado da direita as falas eram reduzidas e pouco construtivas. Pediam por intervenção militar e faziam alusão a 1964. Inclusive uma das participantes vestia uma camisa com a foto de João Figueiredo e carregava uma bandeira do Brasil escrita “64 Neles”. Outra faixa que simbolizava bem o perfil do grupo pedia em inglês por intervenção militar.
(*) Foto: CUT-Rio.

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