Assad consolida poder sobre noroeste da Síria

Vejam, testemunhamos como o governo do presidente Assad é brutal. Mas é impossível ter qualquer simpatia pela oposição do Conselho Nacional Sírio (CNS), com sua plataforma explicitamente sectária, anti-árabe, demandando a intervenção dos genocidas de plantão da OTAN e … querendo reconhecer o Estado de Israel.

O CNS está rachado: uma ala quer uma invasão estrangeira (como na Líbia e no Líbano), a outra não. Ambas aceitam a destruição do Estado sírio.

O Exército da Síria Livre é cada vez mais parecido com o antigo Exército do Líbano Livre (lembram-se do Saad Haddad?), um grupo terrorista, sectário, corrupto, ávido de sangue, cujo propósito é subjugar o país diante de potências regionais (Israel, Arábia Saudita) e internacionais (EUA).

A ditadura não é de Assad, mas de um grupo que não arredará o pé do poder. Neste grupo se encontra as burguesias mercantis de Alepo e Damasco, muito beneficiadas pelas privatizações da última década.

Mas a ambiguidade é a regra número um das Relações Internacionais.

A Síria não rompe diplomaticamente com os EUA e a Arábia Saudita, inimigos pero no mucho.

Por sua vez, os EUA não rompem diplomaticamente com a Síria.

Síria continua mantendo a paz não declarada com Israel, que aproveita para assassinar mais palestinos, como ocorreu na última semana. As Colinas de Golã continuam sendo o lugar paradoxalmente mais tranquilo e seguro do mundo.

Israel não quer a queda de Assad, mas nada fará para impedir a queda e a implosão da Síria, por isso, não deixa de patrocinar a aliança entre as Forças Libanesas (“cristãs”) e a Irmandade Muçulmana (“sunita”), como ocorrera há 30 anos, quando Hafez al-Assad ordenou o esmagamento do movimento em Hama, causando a morte de milhares de pessoas.

Irônico notar que o autor do Massacre de Hama, general Rifaat Assad, tio do atual presidente, seja o atual comandante do Exército da Síria Livre. Lembra um pouco quando as Falanges se uniram à OLP na segunda metade dos anos 1980.

Sim, Bassar al-Assad está bem obrigado, mas até quando e a que preço?

Enquanto isto, a balcanização da Líbia e do Iêmen (de novo!) está na ordem ianque-wahhabita-saudita. Israel agradece.

Um comentário sobre “Assad consolida poder sobre noroeste da Síria”

  1. Eu creio que se a oposição tomasse o controle na Síria, a população sentiria falta do Bashar.
    Esta oposição é muito desorganizada, não merece a confiança de ninguém.
    Foi uma decepção, e serviu apenas para arrasar o país.

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