Analise de mídia: A cobertura do caso ‘Freixo contra milícias’ desta semana

O jornal Extra fez ótimas matérias, JB deu pequenos boletins interessantes, o Globo errou feio em algumas abordagens, mas, veja você, a Globonews foi certeira: entrevista, foco no assunto principal. E o Chico Pinheiro, no Bom Dia (Brasil ou Rio? Não lembro), deu um bom recado para os ouvintes da manhã, alertou como tem que alertar. A CBN foi o lixo de sempre em temas de política (sempre será assim enquanto Lucia Hippolito estiver lá), sugeriu “uso político”. A BandNews foi muito bem. De uma forma geral, a cobertura desse fato na grande mídia foi positiva, avalio.

A questão é que o próprio deputado estadual Marcelo Freixo deixou claro que sua saída era pelas palestras (também), mas que foi igualmente era uma forma de protestar contra a situação. Podemos concordar que os jornais estão nas mãos de Sergio Cabral (não fazem nada que seja excessivamente negativo, isso vale mais para CBN, O Globo e O Dia), mas a questão vai mais longe do que isso.

A cobertura não tem que ser em cima do Freixo, e sim em cima das milícias. E isso não acontece. Esse é o problema. Enquanto for em cima do Freixo, o clima político é inevitável. Está errado insistir nisso. O que teria que ser destacado essa semana: o Carlão, miliciano que ameaça Freixo e manda matar outros e, depois, soltar os assassinos, fugiu pela porta da frente, passando por três portões, e tinha um quarto de luxo dentro do BEP (Batalhão Especial Prisional, feito para policiais), com direito a TV de plasma.

Esse é o problema, e não outro. O Estado não ataca as raízes das milícias, não adota as medidas sugeridas pela CPI e não consegue nem mesmo manter presos todos os seus articuladores, sem privilégios. É por isso que Freixo está ameaçado, e não pela Lucia Hippolito ou pelo Ali Kamel. Eles fazem o papel deles de lacaios do Governo do Estado. Assim o faz o jornal O Dia. Mas boicotar, por exemplo, o jornal Extra é esquecer de um trabalho muito bom que este jornal tem feito ao longo de anos na questão da segurança pública. E isso tem a ver com a qualidade de alguns dos seus repórteres.

A melhor maneira de nos informar e de nos formar continua sendo a mesma: a imprensa alternativa e popular. Sem ela, estaríamos perdidos, sem saber o que realmente acontece. Mas temos pernas para fazer a pressão do Extra, por exemplo? Na minha humilde opinião, em alguns temas sim, em outros não.

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