Alusão à estratégia do avestruz

Alusão à estratégia do avestruzJuliana Borges

Mesmo antes da liberação da licença para a construção da UHE de Belo Monte a situação no Xingu já é caótica. As última notícias (Felipe Milanez) é que fecharam o Ibama e a Funai, liberaram a extração de madeira e agora a festa é nas APPs. Haverá o êxodo de 20 mil pessoas na contramão da locomotiva do desenvolvimento e o governo nem ao menos se preocupou em apresentar um plano de assentamento. Acostumados a sobreviver da pesca e agricultura. Pra onde eles irão? Mais favelização?

O Brasil precisa crescer sim, mas para isso precisa aumentar a eficiência energética das mais de 300 hidrelétricas obsoletas, abandonadas, desaproveitadas e, não construir mais 300 novas com dinheiro público! Só no Amazônas são mais de 100, tem idéia do que isso significa? Sabe se já, que o prejuízo ambiental das hidrelétricas são comparáveis ao das Termoelétricas. Que logística de crescimento é essa? Veja o exemplo da China , a emergente potência com mais de 90% dos rios mortos, poluídos. De que adianta? Água turva pra min é sinal de retrocesso! Mas infelizmente, há tempos que as Companhias Elétricas são um excelente negócio, com direitos a isenções legislativas e fiscais, inundando a revelia, terras férteis e produtivas .

UHD de Belo Monte não é apenas uma luta ambiental, é democrática. Este projeto desenvolvimentista nascido na Ditadura (assim como Angra e Candiota) , viola os Direitos Humanos Interamericanos, é obsoleto e, diante da lógica custos x benefícios está se tornando mais uma obsessão colonialista do governo. Não existirá ‘Apagão’ se existir uma política de aumento da eficiência energética das hidrelétricas já consturídas. Isso sem falar no potencial eólico…mas energia alternativas são muito caras? Caríssimas, mas as longas distâncias das redes de transmissão da energia elétrica também o são.

Leia um trecho dos depoimentos dos agricultores em Altamira:

Quanto aos Índios…
“Nós sabemos o que está acontecendo, mas tem outros índios, isolados, que não sabem. O que vai ser deles?”

Quanto aos Direitos:
“Eles vêem, jogam um livro em cima da nossa mesa ou embaixo da porta com as etapas da obra e dizem que aquilo é diálogo.”

Quanto ao Assistencialismo:
“Não queremos doações de cestas básicas como eles ofereceram [para mitigar o impacto]. Queremos nossa terra livre para produzir nela.”

Responsabilidade ambiental :
“A Norte Energia [empresa responsável pela obra de Belo Monte] disse que não vai indenizar área de mata, só terreiro, benfeitoria. Estamos sendo punidos por proteger a mata.”

Avaliação e diagnóstico:
“Imaginamos um governo democrático e popular e vemos que ele não é. Belo Monte não vai sair porque é uma grande farsa”

Nessa terra de Malboro, onde mais de 500km² serão inundados, emerge uma luta pacifica dos donos da terra, herdada pelos seus antepassados por direito. Pra nós mais um exemplo de como a democracia é violentada pelo poder público a serviço de instituições privadas.

Leia a Carta de Belém – Em defesa dos rios, da vida e dos povos da amazônia

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