Acordo nuclear no Irã: vilões e heróis da mídia internacional

Fecham acordo sobre a produção nuclear, Brasil e Irã. A mídia brasileira, de forma generalizada, reitera declarações sobre a inocuidade dos termos, engrossando o coro de Inglaterra e França à novas sanções ao país oriental. Ainda que destaquem-se todas as já há muito conhecidas características do governo iraniano e suas peculiares declarações, é preciso questionar a conceituação de violações de direitos humanos e dar aos leitores a contextualização do termo, não fomentando a caça às bruxas onde não compete.
De fato, o jihad islâmico e o fundamentalismo, fermentados pelos veículos de comunicação há décadas e cujos eventos diários cercados de violência e vítimas servem para que seja erguido o dedo acusador da imprensa internacional, englobam em suas entranhas exemplos claros de violações à liberdade e aos direitos civis.
Entretanto, também o são no seio da civilidade ocidental onde prisões como Guantánamo, parte geográfica de um país sob bloqueio estadunidense ainda persistente em pleno século XXI, trazem a marca de torturados sob a bandeira da defesa nacional. De seu lado o berço da civilização moderna, a França, assistiu atônita a embates acirrados nas ruas de sua capital entre favoráveis e contrários a presença de estrangeiros em território nacional, assim como seus vizinhos espanhóis.
O terrorismo iraniano, ameaça que povoa os inconscientes norte-americanos, logo trará às telas de suas produções cinematográficas um novo vilão a ser combatido, critério de legitimação para invasões desde sempre existentes, não fossem ainda vívidas as imagens de afegãos e iraquianos prostrados ao chão sob o jugo de armas americanas, supostamente advindas com o propósito de libertá-los, ao que conste o cheiro do petróleo a evocar a verdade econômica dos fatos.
É papel da imprensa denunciar sim cada corrupção do direito soberano à liberdade e a integridade física e psicológica do indivíduo. Entretanto é preciso reconhecer nos personagens o histórico real, onde a retórica estadunidense não pode velar suas culpas, seus cidadãos negros massacrados em árvores e fogueiras até a metade do século XX, as dezenas de mexicanos presos e expulsos em suas fronteiras nos dias de hoje, as constantes invasões e abusos cometidos em nome da soberania mundial, nome traduzido pelas camadas socialistas como imperialismo e não por acaso assim denominado.
Nicarágua, Haiti, Cuba, Honduras, Panamá, Chile, Filipinas, El Salvador e Costa Rica são nomes de uma lista extensa de histórico apavorante, onde o zelo à governabilidade de ditadores sanguinários levou milhares de soldados norte-americanos a esmagarem sob seus coturnos cidadãos destes países, sem que fossem erguidas bandeiras de direitos civis ou sem que a comunidade internacional em bloco clamasse por sanções econômicas ou políticas a quem quer fosse, culpado ou inocente.
É preciso sim apontar as lentes jornalísticas às violações de mulheres e homens no Irã e a restrição à liberdade de imprensa neste país, mas tendo em outro ponto câmeras e microfones abertos às movimentações por vezes terroristas das forças armadas americanas e européias, detentoras de importante poderio nuclear e freqüentes a gestos tão tresloucados e perigosos para a comunidade internacional quanto os anunciados desvarios de Mahmoud Ahmadinejad.

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