A volta da modinha das teorias conspiratórias

A volta da modinha das teorias conspiratórias

Em outros tempos, as teorias da conspiração mais malucas eram impulsionadas pela falta de informações de qualidade, dada a precariedade das comunicações do século XX.

‘O homem não foi à Lua’ é apenas a mais conhecida. O que a CIA fez ou deixou de fazer em todo o mundo era também fruto de muitas especulações e fantasias. Que algumas tivessem acontecido, parcialmente ou plenamente, não vem ao caso.

O que deveríamos nos perguntar é: a quem interessam as teorias da conspiração?

Na atualidade, observo um novo retorno de muitas destas teorias. E isso é plenamente compreensível. Conforme argumentei, elas são fruto da precariedade das comunicações. E cá estamos, num tempo extremamente precário em termos de comunicação.

Poucas pessoas sabem lidar com a quantidade gigantesca de informações disponíveis. Alguns por não saberem focar um tema, outros por conta do mecanismo que Pierre Bourdieu denominou “vício em atualidades”.

É preciso parar e refletir sobre o que você anda divulgando pelas redes sociais e blogs. Quantas matérias você simplesmente republica? Quantas são especulações? Quantas você de fato fez uma pesquisa mínima, para saber se era realmente verdade? Quantas você publicou apenas porque confia na fonte?

Se a informação não pode ser confirmada, ou se não é de nenhuma utilidade, vale pensar duas vezes antes de divulgar. E três vezes antes de transformá-la em uma teoria.

Enquanto formulam-se teorias espetaculares da conspiração, o mundo está cheio de crises e problemas facilmente verificáveis, ocorrendo à luz do dia, sendo grande parte deles solenemente ignorado. O mundo, afinal, só interessa se for suficientemente parecido com um filme de suspense?

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@gustavobarreto_(*) Gustavo Barreto, jornalista. Contato pelo @gustavobarreto_.

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