A tentativa de abdução mal sucedida, no Roda Viva

mellorodaviva
Com um país extremamente polarizado, onde projetos políticos cercam-se de ódio e paixão, nos tornamos cada vez mais carentes de vozes sábias, que se amparem no bom senso e na justiça.
A cada conversa, debate, fica cada vez mais claro que objetivo não é o bem comum ou a evolução. Deseja-se convencer o outro, vencer nos argumentos, nem que seja a tapa. Se gasta energia à toa, já que na maioria das vezes o outro não está disposto a ouvir, sequer pensar.
O duelo físico se tornou um espectro maligno, que nos ronda diariamente, onde usar uma simples camisa vermelha ou pensar diferente do médico que vai atender seu filho pode custar caro.
E a grande dádiva, exclusiva dos seres humanos, que é o bom diálogo, vai sendo liquidado por sentimentos negativos, que tornam grande parte da população cega.
Enquanto tudo isso acontece, aguarda-se a voz esclarecedora. Alguém que pudesse acalmar os ânimos, explicando as regras, a lei.
Segunda-feira, no programa Roda Viva, o Ministro Marco Aurélio de Mello deu um sinal de luz. De forma equilibrada, deu uma verdadeira aula de sensatez, técnica e serenidade.
Cercado por jornalistas sedentos por ouvir aquilo que lhes interessava, com grande sabedoria, o magistrado foi diluindo as tentativas de intrigar e ouvir respostas parciais. Fez o que todo homem do direito deve fazer.
As perguntas, na maioria das vezes vinham com uma resposta pronta. A impressão que se deu é que nenhum deles queria saber a opinião ou a explicação do Ministro. Aguardavam apenas a confirmação do que se havia respondido na própria pergunta.
De todos os jornalistas destacou-se negativamente José Nêumane. Portou-se como um torcedor que exigia do Ministro uma opinião de justiceiro. O Ministro, com olhar sereno, em determinados momentos agiu como terapeuta do jornalista.
Os demais jornalistas também não fugiram do roteiro de perguntas impositivas ao Ministro. De forma obsessiva, desejavam a todo custo uma opinião-posição parcial.
Mesmo com todas essas constatações negativas, por parte dos jornalistas, vale a pena assistir a entrevista. Uma aula de direito, ética, exposta com muita sobriedade e serenidade.
(*)Foto: contextolivre.com.br

Um comentário sobre “A tentativa de abdução mal sucedida, no Roda Viva”

  1. Diga-se que só ao analfabeto Político se pode enganar com esses discursos falaciosos de certos formadores de opinião. Longe de ser um elitista, verifico que quem lê, se informa, reflete, debate sobre esses tortuosos mas necessários assuntos de política é que não se deixa enganar por boçais enganadores. E eles mesmo se fazem estelionatários políticos, pois detêm a informação mas a usam de maneira equivocada e destrutiva. Mas o pior analfabeto é o analfabeto político, como diria o poeta Bertold Brecht: “Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo da vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio. Dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos:
    O político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.”. E pode-se acrescentar, nascem os jornalistas manipuladores, esse capangas intelectuais da elite burguesa receosa de ver seu quinhão de riqueza distribuído aos menos favorecidos. E assim o sistema doentio da opressão de todas as formas se perpetua. Vamos todos mudar! Nos reinvintar! Combater esse sistema viciado, esses agentes da miséria e opressão! Vamos ler mais! Nos informar mais sobre tudo! Só assim a política atual mudará e o sonho de um mundo melhor será possível de realizar.

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