Tempestade rubro-negra

A tempestade que caiu no Rio de Janeiro nesta noite fez com que a Defesa Civil declarasse estado de emergência, e o temor pelos desabamentos voltou a assombrar os cariocas. Mas não será por esse motivo que as chuvas fortes entrarão para a história do futebol. Não, amigos. Não nesta noite. A tempestade que caiu no Rio de Janeiro vai ficar gravada na história do Maracanã por ter selado a vitória do Flamengo, por 1 x 0, contra o Corinthians, pela Libertadores. Porque Adriano superou Ronaldo. Porque o rubro-negro jogou mais da metade do tempo com um jogador a menos. Porque o time jogou com raça, com disposição, com sangue nas veias. Jogou como quem quer ser campeão.
No primeiro tempo quase não teve jogo. A bola mal rolava, as poças de água enganavam os jogadores, era bico pra tudo quanto é lado. Michael foi expulso aos 37 minutos e o Corinthians avançou. O time paulista passou a ter o controle do meio-campo e manteve o time no ataque. O Flamengo encolheu-se.
Mas havia um detalhe. O Corinthians, que classificou-se em primeiro lugar para esta segunda fase, jogava com certa arrogância. Os jogadores tocavam a bola como se a qualquer momento fossem chegar ao gol. Como se a vitória fosse cair do céu. E o que aumentou a sua certeza: o Flamengo classificou-se em último lugar. E tinha um jogador a menos. E isso num campo com as dimensões do Maracanã faz toda a diferença, imaginaram os atletas da equipe paulista. “Vamos colocá-los na roda”. “A vitória vai cair do céu”. Roberto Carlos era a figura que melhor encarnava esse sentimento de superioridade. Nem dividir bola ele divide mais.
Mas não foi bem assim o segundo tempo. Do céu, caía a chuva. E com ela os gritos de uma torcida sem igual. Da única torcida do planeta Terra que tem bandeiras da Palestina, do Movimento 26 de Julho e do Che Guevara, além dos eternos ídoloso Zico, Nunes e do próprio Adriano, entre outros. É o time que tem Petkovic, socialista convicto.
E foi ele, Adriano, quem decidiu a partida. Na ponta esquerda, numa jogada de velocidade, Juan driblou Moacir e foi derrubado na área. Pênalti! Adriano tomou a bola, e com ela a responsabilidade. Adriano, que já foi chamado de maluco, de drogado, de sócio de traficantes varejistas, estava frente a frente com o goleiro Júlio César. Concentrou-se, começou a corrida da linha da grande área, desacelerou e chutou de perna esquerda, firme e rasteiro. Bola de um lado, goleiro do outro. Minutos depois ainda teve a chance de ampliar, mas Júlio César espalmou sua cabeçada para o travessão.
Ao longo da semana muito se ouviu falar que o Corinthians estava mais bem preparado, que o Flamengo estava em crise. Falaram que o Corinthians era o favorito e até uma pesquisa apareceu dizendo que há “empate técnico” entre o tamanho das duas torcidas, quando até as pedras do Parque São Jorge sabem que o Flamengo tem a maior torcida do mundo.
Só esqueceram de lembrar o essencial. Futebol não é feito só técnica e vitórias não caem do céu. A tempestade que desabou sobre o Rio de Janeiro nesta quarta-feira, dia 28 de abril de 2010, despertou o Flamengo. O time superou a inferioridade numérica, venceu a arrogância do adversário e chutou pra longe as previsões derrotistas. Jogou como nas melhores partidas do Campeonato Brasileiro. E a torcida voltou a cantar: “Tu és time de tradição/Raça amor e paixão/Oh meu mengooo”. Agora, amigos, vai ser difícil parar o Flamengo…

12 comentários sobre “Tempestade rubro-negra”

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  2. Quanta bobagem, chamar de arrogância ficar tocando a bola, num campo de dimensões máximas e com um jogador a mais.
    O problema do Corinthians foi exatamente desistir disso e tentar afunilar no ataque, no passe final.
    Falar que o Adriano superou alguém é sacanagem. O cara fez gol de penalty, que ele não sofreu… tinha muito mais espaço para jogar, exatamente porque o flamengo estava recuado e contra-atacando. Se alguém jogou bem, no Flamengo, foram o Williams e o Juan.
    texto fraco, como sempre é fraco um texto de flamenguista. Pq defende sempre as mesmas coisas, argumenta sempre as mesmas bobagens.

  3. Caro,
    Seu texto não parece narrar um jogo de futebol, mas uma epopéia. Um tanto fantasioso. Não custa lembrar que (i) este jogo tem 180 minutos e que os primeiros 90 minutos se encerraram ontem; (ii) que ontem o maracanã era rubronegro; (iii) que o mundo deve ter encolhido para que o flamengo tenha a maior torcida do mundo e (iv) em são paulo haverão milhares de corintthianos empurrando o time que, nas atuais circunstâncias, tem todas as condições de reverter esta pequena vantagem. Você deveria refletir sobre estes pontos antes de comemorar. Abraços.

  4. Marcelo, sou corinthiano e discordo da sua visão do jogo de quarta-feira. Concordo no entanto que o Flamengo mereceu ganhar.
    No entanto não posso deixar de assinalar que a rivalidade incitada em seu texto não corresponde ao que vejo em minha cidade, Campinas. A torcida do Corinthians tem no geral uma boa relação com os flamenguistas e é sempre com bons olhos que encontro os rubro-negros no Bar do Frango, em Barão Geraldo, para acompanhar um clássico Corinthians X Palmeiras regado à lombo de porco. O dono do bar serve lombo de porco por conta da casa sempre que o Palmeiras toma gol.
    Os flamenguistas estão lá, conosco. Nunca vi briga, nem mesmo no jogo de quarta-feira, que assisti no citado bar.
    Acho capenga a discussão sobre qual torcida é maior ou qual tem um caráter “revolucionário”. O meu vô, Bartholomeu Salles Velasco, espanhol, anarquista e sediado em São Paulo, viu a fundação do Corinthians e converteu a família toda, até os netos, em fiéis corinthianos. Sempre falava com orgulho que as reuniões do sindicato eram regadas à transmissão dos jogos do Corinthians pelo rádio.
    O fato é que, independente de qual torcida é maior, Corinthians e Flamengo, seja por sua superioridade numérica ou sua face popular, são os times que melhor representam o Brasil.
    Um abraço.

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  6. Marcelo,
    Parabéns pela vitória e que vença o melhor na volta.
    Mas não é só o Flamengo que tem torcida com bandeiras de Cuba, Che, Palestina etc…
    Só pra ficar em dois exemplos:
    – o turco Adana Demirspor (cantando a Bella Ciao):

    e o italiano Livorno:

    o Livorno que teve o Lucarelli, que costumava comemorar seus gols mostrando uma camisa com a face de Che:

    Abrs,
    Rogério

  7. Sou brasileiro, judeu, anarquista e ‘acima de tudo rubro-negro’ e acho piegas essa falsa esquerda, ou esquerda festiva, ficar se utilizando de pequenas ações de marketing sem fundamento e finalidade em um jogo de futebol e ainda por cima em uma torcida pluralista e popular como a Nação Rubro-Negra. O que fizeram para ter a moral de se utilizar da imagem de um verdadeiro herói por si só como Che Guevara, e não por sua imagem tantas vezes repetidas (ver documentário “Personal Che”) em uma atividade de lazer. O que lhes dá a autoridade de ostentar a bandeira da ANP, que certamente tem seu direito de tornar-se uma nação, sem mal saber a história do conflito israelense-palestino. É muito clichê, muito pueril, muito fora de contexto. E dizer que o Pet, que voltou ao Fla para poder receber uma dívida antiga é socialista convicto, só pode ser uma grande piada. Quanto ao aspecto técnico do jogo, acho mesmo que Adriano jogou sua melhor partida desde os últimos jogos do Brasileiro, quando já dava sinais de abstração técnica. E por fim, acho que devemos manter a tal postura de humildade e aplicação até que essa partida de 180 minutos realmente termine, para não ficr contando o ovo no da galinha. Estive lá na quarta e foi mesmo um jogo emocionante apesar e até mesmo por caausa de todos esses contratempos.

  8. Realmente foi uma grande demostração de Amor o que fez a torcida do FLAMENGO , mesmo em dia de chuva torrencial , ninguém desanimou e com todas as tragédias da cidade mau administrada , a TORCIDA DO FLAMENGO empurra de forma incrivel seu time a Lutar mesmo em condições extremamente adversas , é o retrato do Povo Brasileiro ! Parabéns Mengão

  9. Sinceramente, para mim é uma grnade decepção ver esse tipo de matéria e comentários neste site. A verdade, é que isso vai contra tudo que é defendido aqui: futebol nada mais é, e todos nós sabemos muitíssimo bem, que o circo do povo (o pão nem precisa mais!). Enquanto se fala de times e jogadores e sei lá mais que porcariada dessa coisa que movimenta milhões de reais, a atenção do que é importante é desviada. E, aí, eles continuam com o seu joguinho, que é tão criticado aqui. A safada da Rede Globo não deixou vocês de fora dos domínios dela… lamentável! “Viva a democracia”, dirão vocês.

  10. Pingback: Escrevinhador

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