
Por Ana Amelia Guimarães
Iniciava do lado esquerdo do rio e acabava em certo ponto em cima d’água.
Era de madeiras assentadas de formas diferentes, ora na vertical, ora na horizontal.
No início três tábuas de cada de lado e no meio ripas as quais lembravam uma escada; de repente, vinham madeiras colocadas em outros sentidos em tamanhos desiguais que pareciam boiar na água e assim seguiam até uns 600 metros da margem do rio quando parava por ali.
A impressão que dava é que não houve um projeto adequado nem pessoas entendidas que a projetaram e desistiram no caminho.
O rio era largo e essa ponte deveria ajudar na travessia.
Do outro lado se via morros de alturas diferenciadas onde o pôr do sol era lindo de presenciar.
A água do rio era calma e corria com tranquilidade, mas ninguém sabia o que se escondia embaixo dessas águas profundas que refletiam as nuvens e brilhavam na claridade.
Não sei dizer se alguém tentou ao menos caminhar por essa ponte, pois não havia onde segurar e como algumas ripas não eram juntas, corria-se o risco de cair na água.
Gostava de parar ali e ficar olhando, e tentar procurar saber porque deixamos tantas coisas inacabadas, não descobertas, desequilibradas, mal feitas se existe o lado de lá, que perdemos por não abraçar com receio de afogar.
Ana Amelia Guimarães: meliaguima@gmail.com
Foto: Internet

Realmente, o medo do que podemos encontrar, pode nos imobilizar. No entanto, podemos ir ao encontro de novidades, descobertas que arejem e estimulem um viver mais pleno, se nos permitirmos ir adiante, confiando na nossa capacidade de enfrentamento.