A moça da carona

Por Ana Amelia Guimarães*

Naquela rodovia que cruzava as três cidades do interior, Lina, a moça de branco, surgia do nada com uma mala na mão e ficava no acostamento a pedir carona.

Lina tinha sido uma moça linda. Cabelos longos castanhos, olhos esverdeados, corpo escultural que vivia numa pequena vila com sua família.

Era a quinta de sete filhos. Todos moravam ali e trabalhavam na lavoura com os pais.

A vida seguia tranquila até que um dia chegou um rapaz muito bonito que se dizia mascate, vendendo roupas, sapatos, perfumes e bijuterias para os moradores locais.

As moças logo se encantaram por ele. Tinha um jeito cativante, gentil e educado de tratar as mulheres e com seu olhar penetrante fazia qualquer coração badalar. Ao tempo em que mostrava sua mercadoria, elas iam se apaixonando pelo jeito dele lidar com elas. Saiam todas fascinadas.

Lina, muito tímida, ficava de longe a espreitar. Sentia um desejo enorme de chegar perto do mascate, mas não conseguia.

Ele a via e não dizia nada, mas ficava extasiado com aquela moça que se escondia.

Um dia pegou um perfume dos mais cheirosos e saiu em busca da jovem misteriosa.

Encontrou-a atrás de uma árvore, vestida de branca, de costas, e devagar se aproximou cheirando seus cabelos. 

Lina se arrepiou toda, não teve coragem de virar. Ele sussurrou no seu ouvido que havia trazido um presente para ela e entregou o perfume. Muito trêmula segurou o presente, se virou, e nesse momento, num ímpeto, ele a beijou com muito ardor.

Ela quase desmaiou, mas correspondeu ao primeiro beijo de amor. O vento soprava forte ao calor do meio dia, a vila parada onde todos estavam almoçando… Foi quando ele a levou até sua hospedaria e a possuiu num momento de amor e ternura. Lina se entregou de corpo e alma àquele homem que nem sabia o nome.

Ela adormeceu e só acordou no outro dia embaixo da árvore. Olhou para um lado e outro e não viu mais ninguém. 

O mascate, a vila, sua família, não havia mais nada, somente a árvore, uma estrada, uma mala e o vento a soprar.

Levantou, pegou a mala e saiu a andar pela estrada. De repente passou um carro e ela pediu carona, mas o carro não parou. E seguia andando, a todo carro que via pedia carona e não a viam. Morta de amor só queria encontrar o mascate. 

Ninguém nunca mais viu Lina e nem o mascate. Alguns dizem que nas noites de muito vento aparece uma moça linda vestida de branco pedindo carona, mas quando param ela desaparece.

*meliaguima@gmail.com

Foto: Internet / Freepik

Deixe uma resposta