A intolerância e a omissão

Domingo, cerca de 3 milhões meio de pessoas se reuniram na Parada do Orgulho LGBT de 2009, em São Paulo, o maior evento do gênero no planeta.

Como em qualquer aglomeração, teve carteira furtada, gente bebendo mais do que podia, ruídos vários, desmaios.

Mas o mais grave, praticamente ignorado pela mídia impressa, basicmente, pois a TV paga, ontem, deu bastante cobertura aos fatos, foi terem jogado uma bomba caseira sobre um grupo de mais ou menos 30 pessoas, ferindo 23 ( pode ter sido mais, pois teve ferido leve indo pra casa e outros sendo socorridos por amigos), e dois rapazes barbaramente espancados – sendo que um deles está internado em estado grave, com traumatismo craniano.

A bomba foi atirada de um prédio, na esquina do Largo do Arouche, um dos redutos gays de São Paulo.

O Globo, hoje, na página 10, fala do assunto, mas é otícia velha, não foi apurar, não trouxe nadica de informação além das que foram veiculadas ontem, durante o dia.

Nestes 13 anos de Parada do Orgulho LGBT, em São Paulo, nunca havia sido atirada nenhuma bomba – o que evidencia premeditação e tocaia. Quem agrediu o grupo preparou o artefato e ficou esperando atrás das cortinas, talvez, o momento do crime.

Grave a agressão, gravíssima a omissão da mídia e gravíssima a omissào da sociedade civil, assim como é gravíssimo o fato de que nenhuma das vítimas quis prestar queixa na delegacia – o que impede que os autores possam ser processados por lesão corporal, por exemplo, pois é preciso exame de corpo delito para isso.

Omissão por medo, omissão por conivência e conveniência, omissão que permite que nossa sociedade continue injusta e imoral, com todos os brasileiros sendo <i> iguais</i>, só que uns <i> mais iguais</i> que outros.

Jogar bomba no meio de pessoas é, sim, atentado, é, sim, terrorismo.

Estamos esperando saber o quê a polícia paulistana vai fazer com seus autores. E o quê o governo do estado vai fazer com essas vítimas.

Marcia de Almeida, no http://www.emdiacomacidadania.com.br

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